Juros sobem com aversão a risco trazida por inflação e déficit fiscal dos EUA

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou a sessão regular em 4,905%, de 4,789% no ajuste anterior, e a do...

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Por Agência Estado

Os juros fecharam em alta nesta quarta-feira, não só devolvendo a queda da terça-feira, como atingindo os maiores níveis em quase um mês, pressionados pelo cenário externo. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos veio muito acima do esperado e espalhou aversão a risco nos ativos globais desde cedo, ampliando os receios de retirada antecipada dos estímulos à economia americana pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). À tarde, o avanço se intensificou com as máximas do dólar e com o rendimento da T-note de dez anos se aproximando de 1,7%.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou a sessão regular em 4,905%, de 4,789% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 8,045% para 8,27%. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 8,86%, de 8,664%.

Em termos anuais, o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) americano subiu 4,2% em abril, ante consenso de 3,6%, enquanto o núcleo avançou 3%, mais do que indicava a mediana de 2,3%. Embora o CPI não seja a medida de inflação preferida do Fed, que olha mais o índice de preços dos gastos com consumo (PCE, em inglês), o salto vem num momento de embate com Wall Street. O BC americano tem relativizado o impulso dos dados de atividade que, de fato, como atestou o payroll fraco na sexta-feira, têm mostrado grande volatilidade.

“A curva aqui empinou com o CPI alimentando o debate sobre a antecipação da retirada dos estímulos do Fed”, disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, destacando que a redução na compra de ativos e o início do aperto dos juros por lá devem ter impacto nos fluxos para emergentes.

O que já estava ruim piorou com a informação de que o déficit orçamentário dos Estados Unidos ficou em US$ 1,9 trilhão nos primeiros sete meses do atual ano fiscal, no momento em que o governo continua a gastar além do que arrecada para lidar com os impactos da pandemia. O resultado é recorde para o período de sete meses.

O ajuste ao cenário externo, com o câmbio mais pressionado, não poupou nem as taxas curtas, que também subiram. A agenda teve influência limitada nos negócios no começo do dia. Apesar da queda de 4,00% no volume de serviços prestados em março ante fevereiro ter sido maior do que indicava a mediana das estimativas (-3,15%), os economistas deram mais destaque ao indicador interanual, que mostrou crescimento de 4,5% e superou a mediana positiva de 3,30%.

Com o foco totalmente voltado ao exterior, o aumento da temperatura em Brasília tem sido relegado pelo mercado a segundo plano. Na CPI da Covid no Senado, o ex-secretário de Comunicação e empresário Fabio Wajngarten foi acusado pelos senadores de mentir em seu depoimento, com declarações que supostamente contradizem o que havia afirmado à revista Veja, sobre a atuação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello na pandemia. O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), quer a prisão preventiva do ex-secretário.

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