Curitiba passa de cidade ecológica para uma das mais poluentes do Brasil

De acordo com o doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Marcelo Limont, o rótulo de capital ecológica teve início no final da década de 1980 e...

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Por Deyvid Alan

A emissão de gases de efeito estufa foi tema do maior estudo do gênero já realizado no país, realizado pelo Observatório do Clima. O levantamento aponta quais municípios mais poluem o meio ambiente, analisando as emissões de gases estufa de cada um dos 5.570 municípios brasileiros. Foram considerados dados nos setores de energia, mudança de uso da terra e florestas, agropecuária, processos industriais e tratamento de resíduos. A Grande Curitiba, que compreende a capital e os municípios da região metropolitana, aparece em 7º lugar no ranking das capitais, passando de “Capital Ecológica” para o status de uma das mais poluentes do país.

De acordo com o doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Marcelo Limont, o rótulo de capital ecológica teve início no final da década de 1980 e durou até 1996. “Na ocasião, o título se deu em decorrência do expressivo planejamento urbano e foi reforçado a partir de análises que se apropriaram de conjuntos limitados de indicadores, sendo a maioria relacionados a informações ambientais, como por exemplo a quantidade de hectares de área verde por habitante.

Porém, a problemática ambiental é complexa e envolve, necessariamente, aspectos sociais e econômicos para sua avaliação, os quais comumente não eram vistos com a devida prioridade em avaliações de sustentabilidade da época”, explica o professor do programa de mestrado e doutorado em Gestão Ambiental (PPGAMB) da Universidade Positivo. “Não dá para comparar os indicadores (que no caso foi apenas um) que deram o rótulo de cidade ecológica com indicadores de mudança climática”, argumenta.

Segundo o professor, o cenário urbano da cidade mudou muito de lá para cá. “Infelizmente para pior, conforme aponta o estudo do Observatório do Clima, o qual amplia o conjunto de indicadores avaliados, considera a complexidade como elemento estrutural do desenvolvimento sustentável e que destacou o tema das mudanças climáticas”, explica. 

Uma das razões que explicam o aumento dos gases poluentes em Curitiba é o processo de urbanização. A doutoranda do PPGAMB, Kelly Panegalli Palhuk, destaca que, hoje, o município só tem população vivendo em área urbana, com o carro sendo o principal meio de transporte (67%), o que eleva os indicadores de poluição do ar. “O grau de urbanização é de 100%, aspecto que lhe atribui a posição de cidade com maior densidade demográfica do Estado do Paraná, figurando em 22º lugar no contexto nacional”, frisa.

O crescimento da proliferação dos gases do efeito estufa na capital paranaense também se relaciona com o intenso processo de urbanização da cidade. A doutoranda do PPGAMB, Kelly Cristine Panegalli, que pesquisa a mobilidade urbana em Curitiba, destaca que o carro acaba sendo o principal meio de transporte utilizado pela população, respondendo por aproximadamente 67% dos modais disponíveis na cidade, o que eleva os indicadores de poluição do ar.

“No Brasil, os automóveis contribuem com metade das emissões de CO2 nos grandes centros urbanos, aspecto que sinaliza a necessidade de proposição de políticas públicas que incentivem e aperfeiçoem a infraestrutura dos sistemas de transporte público coletivo ou de baixo impacto como, por exemplo, a ciclomobilidade”. Kelly aponta, ainda, para a necessidade de ações conjuntas para resolver o problema, envolvendo governos, pessoas e empresas no sentido de colaborar em processos decisórios que possam reduzir essa emissão de GEE na cidade.

Fonte: Assessoria

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