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Palco traz espelho que se mexe e alien que luta com a gravidade

No primeiro encontro em que falaram sobre Lazarus, David Bowie entregou quatro páginas ao dramaturgo irlandês Enda Walsh. "É daqui que eu gostaria de começar",...

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No primeiro encontro em que falaram sobre Lazarus, David Bowie entregou quatro páginas ao dramaturgo irlandês Enda Walsh. "É daqui que eu gostaria de começar", disse Bowie, que apresentou três novos personagens para contracenar com o alienígena Thomas Newton: uma garota, que podia ser ou não real, um assassino em massa chamado Valentine e uma mulher inspirada em Emma Lazarus, a escritora americana cujo poema The New Colossus está esculpido na base da Estátua da Liberdade - ou seja, uma personagem que facilmente se apaixonaria por Newton, o mais viajado dos imigrantes.
"Conversamos sobre pessoas fora de controle, cuja história é marcada tanto por uma tristeza obscura como por beleza, amor incondicional e bondade", afirma Walsh, em texto sobre o espetáculo. "É verdade: os personagens criados por Bowie trazem uma profunda teatralidade, algo que percebemos em sua música", comenta Bruna Guerin, que vive Garota, a que pode não ser real.

Especialista no gênero musical (participou de grandes montagens como Cantando na Chuva), ela passou por um processo diferente, típico da forma de trabalho do encenador Felipe Hirsch. "Passamos dois meses em imersão na obra do Bowie sem se preocupar com a busca do canto perfeito. O desejado é algo mais puro, mesmo que sujo, com alguma nota desafinada."

Bowie sabia que seu tempo se encurtava, o que justifica frases dilacerantes ditas por Newton como "Sou um homem morrendo que não pode morrer" ou "Olhe aqui em cima, estou no céu".

"Seu trabalho era reconhecido pela humanidade, mas Bowie nunca fez discos fáceis porque eram extremamente autorais", explica Hirsch, que descobriu a obra do cantor inglês nos anos 1980, quando era um jovem de 11 anos, tornando-se então um especialista.

"Bowie arma um jogo de memórias em um ambiente fantasioso", observa Jesuíta Barbosa, intérprete de Newton, papel que lhe obrigou a descolorir os cabelos. Como o alienígena sofre problemas com a gravidade, o ator anda aos tropeços, o que é visível graças ao detalhado trabalho corporal criado por Alejandro Ahmed, que também mirou o elenco. "Buscamos encontrar a musicalidade no físico, algo que Bowie expressava com maestria", afirma Rafael Losso, estreando em musical como Valentine.

Lazarus tem um final comovente, que não vale revelar. A cena fecha um ciclo com o início da trama, em que dois personagens conversam: "Existe um fim para isso?" e "Você vai ser livre". O espetáculo estreia o Teatro Unimed, que ocupa três dos 18 andares do edifício Santos Augusta, iniciativa do empresário Fernando Tchalian. Projetado por Isay Weinfeld, o teatro tem 249 lugares divididos em duas plateias.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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