Curva de juros ganha inclinação com IPCA-15, risco político e Treasuries

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou em 4,63%, de 4,641% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro...

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Por Agência Estado

Os juros futuros fecharam em alta nos vencimentos de médio e longo prazos e estáveis na ponta curta da curva, refletindo desconforto com a debandada na equipe econômica, que foi crescendo ao longo do dia, e a maior pressão vinda dos Treasuries, com o yield da T-Note de dez anos rompendo novamente a marca de 1,60%. Desde cedo, outro fator que contribuiu para a inclinação da curva foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de abril melhor do que o consenso, enfraquecendo as apostas de um Comitê de Política Monetária (Copom) mais agressivo na reunião da próxima semana.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou em 4,63%, de 4,641% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 7,696% para 7,76% no fechamento da sessão regular. O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 8,39%, de 8,324% na segunda-feira.

Após dias de calmaria na curva, a terça-feira teve vetores a estimular um ajuste, começando pelo IPCA-15, que subiu 0,60%, desacelerando 30 pontos-base ante março (0,93%) e abaixo da mediana das estimativas (0,67%). Na precificação da curva, a probabilidade de novo aperto de 0,75 ponto da Selic no Copom de maio, como já vem sinalizando o BC, acelerou para perto de 80%, contra cerca de 20% de avanço de 1 ponto.

O IPCA-15 manteve o mercado bem comportado nas horas iniciais, mas no fim da manhã o humor começou a piorar na medida em que o noticiário sobre saídas no Ministério da Economia ganhou corpo. Na segunda mesmo, o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) já informava que a assessora especial para reforma tributária, Vanessa Canado, deixaria o cargo e, nesta terça, foram apurados mais nomes, com destaque para o Secretário Especial de Fazenda, Waldery Rodrigues.

O episódio mostra que o mercado pode ter se precipitado ao comemorar o fim do impasse do Orçamento, mas ao que parece a novela não terminou. “O corpo técnico parece estar desgostoso com a solução encontrada e com a necessidade cada vez maior de encontrar cargos para acomodar as demandas do Centrão. Tudo está longe de estar resolvido”, disse Danilo Alencar, trader de renda fixa da Sicredi Asset.

O dia também teve leilão de NTN-B, com oferta reduzida de 4,3 milhões na semana passada para 2,4 milhões nesta terça e vendida integralmente. Alencar, da Sicredi Asset, vê os papéis, sobretudo nos prazos intermediários, como uma boa proteção contra o cenário de incertezas, que dificulta “ficar aplicado em pré”. “Apesar do IPCA-15 hoje melhor, há sinais de que a inflação está fora de controle e que o BC não parece estar tão intolerante assim com a inflação acima da meta”, afirmou.

No fim da tarde, a piora do mercado teve os Treasuries como pano de fundo. Um dia antes da decisão de política monetária do Federal Reserve, a T-Note de dez anos bateu máximas desde o dia 20, rodando acima de 1,60%. Não se espera alteração nos juros, mas há expectativa com a entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell, sobre a inflação, além de uma possível orientação sobre o momento de começar a reduzir as compras de ativos.

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