Governo estima que valor de empresas de saneamento podem chegar R$ 140 bilhões

O texto, que abre espaço para a iniciativa privada atuar com mais força no setor, fixa novas regras para os contratos de serviços que incluem abastecimento...

Publicado em

Por Agência Estado

O relator do novo marco de saneamento, deputado Geninho Zuliani (DEM-SP), e lideres partidários do DEM e do PP fizeram uma manobra para que o Senado Federal não seja mais a Casa que dará a última palavra sobre o projeto, e sim a Câmara dos Deputados.

O texto, que abre espaço para a iniciativa privada atuar com mais força no setor, fixa novas regras para os contratos de serviços que incluem abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, limpeza urbana e reciclagem de lixo. Até a conclusão desta edição, o texto ainda seguia em análise pelos deputados.

A proposta do deputado é considerada mais “privatista” que o texto que veio do Senado. As mudanças trazidas pelo novo marco são aguardadas pelo setor privado, que hoje está em apenas 6% das cidades.

Como a principal proposta sobre o tema veio dos senadores, o projeto de lei que deve ser votado nesta quarta-feira pela Câmara precisaria ser revisto no Senado. Se os senadores fizerem mudanças no texto aprovado pelos deputados, o projeto seguiria para a sanção em seguida.

Ocorre que, na Câmara, além do projeto de autoria do Senado, outras propostas também foram analisadas (apensadas) em comissão especial. Uma delas foi o projeto apresentado pelo Executivo na Câmara, em agosto. Na prática, emendas apresentadas pelo DEM e pelo PP dão ao texto do Executivo o mesmo teor do relatório de Zuliani.

Assim, se essas emendas forem aprovadas, é possível encaminhar ao Senado apenas o projeto de autoria do Executivo. Dessa forma, driblando o texto do Senado, a Câmara passaria a ser a protagonista da proposta, dando a palavra final sobre o projeto.

Explicação

Nos bastidores, a justificativa para essa manobra é a de que deputados temem que os senadores “desidratem” o texto de Zuliani para favorecer as companhias estaduais de saneamento, já que no Senado os governadores conseguem ter um poder maior de influência sobre os parlamentares. Sendo o projeto de autoria da Câmara, qualquer mudança feita pelos senadores teria de passar pelos deputados novamente.

Por outro lado, há quem considere a estratégia arriscada, porque poderia intensificar a disputa por protagonismo que ronda as duas Casas. Deputados envolvidos nas discussões afirmaram reservadamente que a estratégia já foi comunicada a senadores.

De acordo com o Ministério de Desenvolvimento Regional, a rede de coleta de esgoto aumentou 12,8 mil quilômetros em 2018, passando de 312,8 mil quilômetros para 325,6 mil quilômetros. Essa rede atende a 105,5 milhões de pessoas, o equivalente a 53,2% da população. Hoje, somente 46,3% de todo o esgoto produzido no País é efetivamente tratado.

A rede de abastecimento de água alcançou 662,6 mil quilômetros em 2018, um aumento de 21.924 quilômetros em relação a 2017. Com isso, o abastecimento de água chegou a 169,1 milhões de habitantes, o que equivale a 83,6% da população do País.

Meta

Pelo texto, até o fim de 2033, as empresas do setor terão de garantir o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% da população com coleta e tratamento de esgoto. Quem ainda não possui metas contratuais terá de incluí-las, por aditivo, até março de 2022, sob risco de ter o contrato encerrado.

O relator acolheu pedidos de empresas estaduais do setor e de governadores para que o texto desse maior sobrevida aos contratos de programa – fechados sem licitação e usados normalmente entre os municípios e as companhias públicas de saneamento.

Pelo texto final, os contratos de programa atuais e os que já venceram poderão ser renovados por até mais 30 anos, desde que o processo ocorra até março de 2022. A medida tem o potencial de aumentar o valor de mercado das companhias estatais, o que elevaria a arrecadação dos Estados quando as empresas forem privatizadas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X