Com foco na PEC Emergencial, Bolsa fecha em alta de 0,65%

O sinal positivo veio em momento no qual se temia flexibilização de última hora, após indicação de que o presidente Jair Bolsonaro estaria negociando nova desidratação...

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Por Agência Estado

Após queda de quase 4% no dia anterior, o Ibovespa retornou a campo positivo nesta terça-feira, 9, deixando em segundo plano o choque causado pela recuperação dos direitos políticos do ex-presidente Lula, com anulação das sentenças da Justiça federal do Paraná por Edson Fachin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, o mercado voltou a olhar para o que está logo à frente, ou seja, a votação amanhã da PEC Emergencial na Câmara dos Deputados. Ainda que moderada ao longo da tarde, contribuiu para a recuperação parcial não apenas o dia positivo no exterior, com ganho de 3,69% no Nasdaq e de 1,42% no S&P 500, como também a indicação, pelo relator na Câmara, deputado Daniel Freitas (PSL-SC), de que o texto da PEC a ser levado ao plenário será “exatamente o que veio do Senado”.

O sinal positivo veio em momento no qual se temia flexibilização de última hora, após indicação de que o presidente Jair Bolsonaro estaria negociando nova desidratação da PEC Emergencial, para beneficiar servidores da segurança pública. Após as declarações de Freitas, o Ibovespa passou a testar a linha de 112 mil pontos, chegando a 112.524,50 pontos na máxima do dia, bem distante da mínima da sessão, a 109.343,23 pontos. Ao final, o índice da B3 mostrava alta bem mais modesta, de 0,65%, aos 111.330,62 pontos, com giro financeiro a R$ 44,6 bilhões. Na semana, o Ibovespa ainda perde 3,36%, limitando o ganho a 1,18% no mês – em 2021, cede 6,46%.

“A PEC tirou o foco do Lula, contribuindo também para segurar um pouco o dólar. Temos uma situação fiscal crítica e a recolocação de Lula como eventual candidato em 2022 reforça a questão do populismo para os anos à frente. Temos hoje um governo dito liberal, que deveria estar mais focado em questões fiscais – e não está tanto quanto deveria, o que terá efeitos para 2022 e 2023”, observa Marina Braga, líder de alocação na BlueTrade.

“Aqui, apesar do dia bem favorável lá fora, não tivemos um gatilho forte para levar o Ibovespa mais acima, depois do que se viu ontem. O mercado está ainda um pouco grogue, fazendo pausa para respirar. Tudo que não se queria para 2022 era polarização entre Lula e Bolsonaro, com Centro enfraquecido – mas é o que parece estar se desenhando. Vai haver volatilidade, mas com juros reais perto de zero ou negativos, o custo de oportunidade continua muito pequeno, ainda que a Selic venha a subir a partir da semana que vem, gradualmente como se espera”, diz Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo, que antecipa aumento de 0,50 ponto porcentual para a taxa de juros de referência na reunião de março. “Ainda há tempo para o governo fazer reformas, mesmo na pandemia”, acrescenta.

“Com Lula elegível, o risco é a antecipação do calendário, com medidas eleitoreiras já em 2021, o que seria um problema. Precisamos ver como este risco eleitoral antecipado fará o governo ‘performar’ daqui em diante. Não vejo espaço para Lula aparecer muito agora, nem creio que seja de seu interesse”, conclui Knudsen.

Na ponta do Ibovespa nesta terça-feira, destaque para o setor de proteína animal, com Minerva em alta de 6,14%, e BRF, de 5,98%, à frente de Suzano, com 5,06%, e Braskem, com 4,27%. No lado oposto, Lojas Americanas cedeu 5,70%, B2W, 5,25%, e Via Varejo, 4,85%. Entre as blue chips, destaque para alta de 2,32% em Petrobras PN e de 1,86% na ON, com Vale ON em baixa de 1,00% no fechamento, em dia de forte queda do minério de ferro na China (-5,70% em Qingdao). O desempenho dos bancos foi majoritariamente positivo na sessão, à exceção de BB ON (-0,72%) e de Santander (-0,23%).

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