Meia do Bahia é indiciado por injúria racial contra Gerson, do Flamengo

A investigação foi concluída pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Rio de Janeiro, que nesta quinta-feira encaminhou o inquérito ao Ministério...

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Por Agência Estado

O meia colombiano Ramírez, do Bahia, foi indiciado pelo crime de injúria racial por ter dito “cala a boca, negro” ao meia Gerson, do Flamengo, durante uma partida entre as duas equipes válida pelo Campeonato Brasileiro, em 20 de dezembro passado.

A investigação foi concluída pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Rio de Janeiro, que nesta quinta-feira encaminhou o inquérito ao Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Agora, o MP-RJ vai decidir se denuncia o atleta colombiano à Justiça, arquiva o caso ou pede mais investigações. A pena prevista para o crime é de um a três anos de prisão. O atleta do Bahia nega a injúria e afirma ter dito “joga rápido, irmão”.

O episódio ocorreu logo após o primeiro gol do Bahia, marcado por Ramírez aos cinco minutos do segundo tempo. Bruno Henrique, do Flamengo, fingiu dar um chute na bola e Ramirez reclamou. Gerson disse algo para o adversário, que então passou correndo ao seu lado e teria dito: “Cala a boca, negro”. Gerson ficou muito indignado pela suposta ofensa racista e reclamou imediatamente com o árbitro e com o treinador do Bahia, que era Mano Menezes.

O inquérito para investigar o ato foi instaurado no dia seguinte ao jogo. A Decradi ouviu testemunhas, analisou a súmula do jogo e imagens da partida e concluiu que houve mesmo a ofensa racial.

Em depoimento, colegas de Gerson relataram que o jogador ficou muito abalado com a agressão, permaneceu cabisbaixo e apresentou comportamento diferente do normal no vestiário, além de ter se recusado a encontrar parte do elenco após o jogo, pois estava triste com o fato ocorrido.

Gerson afirmou à Polícia Civil que ficou tão indignado com o episódio que após o jogo, ainda no gramado, desabafou durante uma entrevista. “Tenho vários jogos pelo profissional e nunca vim na imprensa falar nada porque nunca tinha sofrido preconceito, nem sido vítima nenhuma vez. O Ramírez, quando tomamos o gol, o Bruno fingiu que ia chutar a bola e ele reclamou com o Bruno. Eu fui falar com ele e ele falou bem assim para mim: Cala a boca, negro. Eu nunca falei nada disso, porque nunca sofri. Mas isso aí eu não aceito”, afirmou o atleta do Flamengo, na entrevista à TV. Ramirez, no entanto, negou a injúria racial e afirmou que apenas disse “joga rápido, irmão”.

Segundo a Decradi, as investigações comprovam a dinâmica do fato e a versão da vítima.

JUSTIÇA DESPORTIVA – O caso também é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), onde um inquérito tramita em sigilo. O relator Maurício Neves Fonseca tem até o próximo dia 11 para dar um parecer sobre o episódio. Ramírez prestou depoimento na quarta-feira, por videoconferência, e reafirmou não ter cometido a injúria.

Três atletas do Flamengo (a suposta vítima Gerson e as testemunhas Bruno Henrique e Natan) prestariam depoimento também, mas estavam concentrados para a partida contra o Vasco, nesta quinta-feira, e por isso não foram autorizados pelo Flamengo a falar ao órgão judicial. A investigação segue sem a versão deles.

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