• Luiz Oliveira
  • CGN

11 Janeiro 2019 | 21h33min

A CGN conversou nesta sexta-feira (11) com a dona Lucineia Vicente Soares Martins, mãe da adolescente que morreu aos 14 anos por infecção hospitalar no HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná). O caso aconteceu no ano de 2007, após a garota ter passado por procedimento de cesariana. 

O processo que tramitava na justiça desde 2008 acabou com sentença publicada nesta semana pela Vara da Fazenda Pública, que acabou com a condenação do hospital a pagar indenização à mãe da vítima.

Hoje, a garota estaria com 23 anos de idade. O filho dela atualmente vive com a família do pai. 

Dona Lucineia diz que recebeu a notícia da condenação do hospital através de sua advogada, mas acha que HUOP acabará recorrendo da decisão.

A mulher acredita que a culpa pela morte é, de fato, do hospital, devido ao tempo que a gestante ficou exposta dentro da unidade, ao risco de contrair infecção hospitalar.

Dona Lucineia diz que desde a época dos fatos, o hospital nunca procurou a família para tratar do caso.

A advogada da família diz que, mesmo que o hospital recorra, continuará cobrando por justiça, segundo o relato de Lucineia.

A família agora aguarda pelo posicionamento do hospital quanto a condenação e espera que o caso não fique impune.

O caso

A gestante tinha apenas 14 anos e deu entrada no hospital no dia 22 de janeiro de 2007, tendo seu filho horas depois. Ela estava bem, mas permaneceu internada até o dia 27, pois o bebê precisava de banho de luz.

Com dores e sangramento ela voltou ao hospital no dia 30, quando a infecção foi descoberta. No dia 3 e no dia 5 de fevereiro ela foi submetida a cirurgias e veio a falecer.

A justiça entendeu que ao manter a jovem no hospital mais de 48 horas depois da cesárea para acompanhar o bebê que seguia internado a expôs ao risco de infecção.  

“Não há nenhum elemento nos autos que evidencie que o recém-nascido se encontrava em situação de risco ou qualquer outro fundamento que justificasse a manutenção da mãe nas dependências do hospital”, diz a sentença.

Para a justiça, há indicativos de que ela não recebeu os cuidados apropriados. No segundo internamento, por exemplo, ela não foi para a UTI por ausência de vagas mesmo após ter uma parada cardiorrespiratória e ter sido reanimada pelos médicos.

O hospital, apesar de confirmar que a vítima contraiu a infecção nas suas dependências, defende que a responsabilidade é subjetiva. O HU chegou a acionar dois médicos que prestaram os atendimentos que também se tornaram réus no processo. A Justiça, porém, entendeu que não há nenhuma prova de que eles tenham tido alguma conduta inadequada e condenou apenas o hospital.

Os profissionais ouvidos no processo disseram que o hospital sempre teve um setor responsável por prevenir infecções hospitalares mas que, desde a época dos fatos, vários procedimentos mudaram, aprimorando os cuidados.

Indenização

A sentença foi de R$ 40 mil por danos morais além de uma pensão mensal para a mãe da jovem. O valor da pensal é de dois terços do salário mínimo até a data que a jovem completaria 25 anos e um terço do salário mínimo a partir desta data até que se complete a expectativa de vida prevista pelo IBGE. Os valores retroativos terão cálculo de juros.

Por ser uma sentença de primeira instância cabe recurso ao Tribunal de Justiça.

A CGN procurou a assessoria do hospital e aguarda um posicionamento.


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Comentários (2 comentários)

  • Jaqueline Nunes Dos Santos
    5
    25
    4 dias atrás às 22:59h
    Alguém sabe se o filho ou filha dela está vivo ?
  • Francyelle Figueiredo
    1
    0
    3 dias atrás às 12:13h
    Sim está vivo