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Professores e funcionários da educação encerram greve após assembléia em Curitiba

A assembleia autorizou a categoria a realizar nova paralisação e mobilização caso seja anunciado mais algum ataque ainda este ano...

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Por Fábio Wronski

Professores e funcionários de escola em greve realizaram uma assembleia na tarde desta quarta-feira (4) em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, e encerraram a paralisação, mas mantiveram o estado de greve.

A assembleia autorizou a categoria a realizar nova paralisação e mobilização caso seja anunciado mais algum ataque ainda este ano. Também aprovou orientação para que os educadores deixem de usar equipamentos particulares, como o celular, para lançar notas e registrar presença dos estudantes.

A decisão foi tomada após uma manobra acordada entre o governador Ratinho Junior e deputados aliados para votar alterações nas regras de aposentadoria do funcionalismo estadual sem diálogo e em regime de urgência.

A sessão plenária desta quarta foi transferida para a Ópera de Arame. O acesso ao local foi bloqueado pela Polícia Militar. Sem o acompanhamento da população, as propostas do governo, uma emenda à Constituição (PEC) e dois projetos de lei, devem ser aprovadas.

“É um golpe contra a nossa Constituição, contra a população e contra os servidores. O autoritarismo do governo e de seus aliados não tem limites e não iremos nos calar”, criticou o presidente da APP-Sindicato, Hermes Silva Leão.

De acordo com as lideranças sindicais e a bancada de oposição, a Mesa Executiva da Alep não respeitou o Regimento Interno da Casa. A norma determina um intervalo de cinco sessões entre a primeira e a segunda votação de propostas de emenda à Constituição.

Para atender o pedido do governador Ratinho Junior, o presidente da Alep, Ademar Traiano (PSDB), anunciou que vai dispensar a regra regimental e votar a PEC em primeiro e segundo turno e, ainda, a redação final, tudo nesta quarta-feira. 

Pela proposta, Ratinho Junior quer subir de 11% para 14% a alíquota de contribuição, inclusive dos aposentados e pensionistas, e aumentar a idade mínima para 65 anos para homens e 62 anos para mulheres se aposentarem. 

“Os mais baixos salários são os que mais irão ter desconto e ainda terão que trabalhar mais. Até dos aposentados o governador quer cobrar contribuição”, denunciou o presidente da APP-Sindicato..

Deputados da oposição questionaram Traiano sobre as irregularidades. Ele não acatou os pedidos e sugeriu que os parlamentares contrários à sua decisão procurem a Justiça.

Prédio desocupado

Mais cedo, servidores que estavam acampados no interior da Assembleia Legislativa desocuparam o espaço. Na saída, foram ovacionados pelos demais que se encontravam na Praça. 

“Desocupamos e vamos denunciar o absurdo que ocorre na Ópera de Arame nesta tarde. O governador assumiu um caminho de ataque aos que prestam serviço para a população de conta com o apoio da maioria dos deputados, infelizmente”, disse o presidente da APP-Sindicato.

A ocupação teve início na tarde ontem, após o funcionalismo ser impedido de exercer o direito de acompanhar a reunião dos deputados. Houve confusão na tentativa da Polícia Militar de impedir o acesso ao prédio. Servidores ficaram feridos e outros, que foram atingidos por spray de pimenta, passaram mal. Todos passam bem.

Pauta

Iniciada na segunda-feira (2), a greve dos trabalhadores da educação teve adesão 80% das escolas estaduais. Além da retirada dos projetos que alteram as regras da aposentadoria, os educadores também reivindicam a manutenção do Ensino Médio noturno e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em recente comunicado, a Secretaria de Educação anunciou o fechamento de turmas dessas modalidades em todo o estado.

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