Radicais tomam Congresso após Trump desafiar rito que daria triunfo a Biden

Por volta das 14h15 (hora local, 16h15 de Brasília), enquanto a Câmara e o Senado debatiam a iniciativa de um grupo de republicanos para derrubar os...

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Por Agência Estado

Uma multidão de extremistas pró-Donald Trump invadiu o Capitólio nesta quarta-feira, 6, após um discurso em que o presidente americano prometeu nunca admitir a derrota na eleição de novembro, em desafio ao rito parlamentar que confirmaria a vitória democrata. O grupo interrompeu a certificação dos votos eleitorais para atestar o triunfo do presidente eleito Joe Biden. A polícia precisou retirar o vice-presidente americano, Mike Pence, que presidia o Senado, e os demais legisladores do prédio em um cenário de violência que abalou um pilar da democracia americana e deixou ao menos um morto.

Por volta das 14h15 (hora local, 16h15 de Brasília), enquanto a Câmara e o Senado debatiam a iniciativa de um grupo de republicanos para derrubar os resultados das eleições no Estado do Arizona, os seguranças correram até Pence para retirá-lo do Capitólio. Antes de presidir a sessão, o vice, como presidente do Senado, desafiou a pressão de Trump e disse que não cabia a ele anular qualquer voto.

O prédio foi fechado depois de vândalos derrubarem as grades de segurança do lado de fora. Houve quebra-quebra, a polícia jogou gás lacrimogêneo, mas não conseguiu impedir a invasão. Imagens postadas nas redes sociais redes sociais mostraram extremistas brigando violentamente com a polícia. Pelo menos um explosivo foi encontrado pela polícia perto do Capitólio. Por um tempo, senadores e membros da Câmara ficaram presos em seus respectivos gabinetes.

Uma mulher que parecia fazer parte do grupo que invadiu o Capitólio pode ser vista em um vídeo postado nas redes sociais levando um tiro dentro do prédio. Ela chegou a receber atendimento no local, mas morreu. Segundo a NBC News, ela foi atingida por um membro da Polícia no momento da invasão do prédio.

“Isso é o que vocês conseguiram, rapazes”, gritou o senador Mitt Romney, republicano de Utah, enquanto a confusão se desenrolava, aparentemente dirigindo-se aos colegas de partido que lideravam as iniciativas para tentar bloquear a certificação de Biden. “Isso é o que o presidente causou hoje, essa insurreição”, disse Romney.

A agitação levou a prefeita de Washington, Muriel Bowser, a declarar toque de recolher em toda a cidade das 18h de ontem até às 6h de hoje. Em seguida, o governador da Virgínia, Ralph Northam, declarou estado de emergência e impôs também toque de recolher em Arlington e Alexandria, nos arredores da capital americana.

O secretário de Defesa dos EUA em exercício, Chris Miller, ativou todos os 1,1 mil soldados da Guarda Nacional do Distrito de Columbia, onde fica Washington, e disse que estava preparado para fornecer apoio adicional se solicitado pelas autoridades.

Biden fez um pronunciamento contundente contra a violência. Ao mesmo tempo, os democratas conquistavam a maioria do Senado com as duas vitórias dos candidatos que disputaram o segundo turno na Geórgia (mais informações nas páginas A14 e A15).

Trump foi ao Twitter algumas vezes ao longo do dia. Depois de voltar a contestar as eleições, pediu que seus seguidores manifestassem pacificamente, após eles terem invadido a sede do Legislativo.

Pela noite, voltou a desafiar o resultado das eleições em um tuíte apagado em seguida. “São coisas e eventos que acontecem quando uma vitória eleitoral sagrada esmagadora é cruelmente retirada de grandes patriotas que foram mal e injustamente tratados por tanto tempo”, afirmou.

O dia extraordinário em Washington revelou as profundas divisões entre os dois partidos e dentro das fileiras republicanas, quando a contagem cerimonial de votos eleitorais que se desenrola a cada quatro anos no Congresso se transformou em um espetáculo explosivo.

A presidente da Câmara, a democrata Nanci Pelosi, informou em um comunicado que retomaria a cerimônia assim que o Capitólio fosse liberado para uso. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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