
Editorial: Quanto vale uma boa ação?
Quais as consequências que você terá por ajudar alguém? E quais serão as consequências por não ajudar?...
Publicado em
Por Deyvid Alan
Nos últimos meses o número de pessoas que procuraram a CGN pedindo ajuda aumentou significativamente. Durante a pandemia muitas pessoas perderam o emprego e se viram obrigadas a pedir ajuda até mesmo para comprar alimentos para os filhos.
Dizem que o Brasil é o país do povo generoso, que nos momentos difíceis não mede esforços para ajudar o próximo. E de fato em muitos pedidos de ajuda que publicamos, diversas pessoas se mobilizaram e não pensaram duas vezes em contribuir de alguma forma.
No entanto as opiniões das pessoas divergem em muitos assuntos e nesses casos não é diferente. Por conta da pandemia muitas pessoas têm pedido alimento, algo básico para a sobrevivência, em alguns pedidos mães desempregadas e únicas responsáveis pela criação dos filhos precisavam optar por trabalhar para colocar alimento em casa ou então ficar em casa para cuidar dos filhos pequenos, já que não conseguiram creche.
Em todos os casos publicados, a mãe, provedora do lar, além de ter que alimentar as crianças precisava pagar o aluguel, luz e água, e sem trabalho, a única fonte de renda era o auxílio emergencial, que inclusive algumas não receberam.
O fato é que muitos comentários nas publicações questionavam e afirmavam: “Ué, fez o que com o auxílio?”, “Vai trabalhar ao invés de ficar pedindo”, “Ninguém mandou fazer filho”, “Enquanto tiver gente alimentando esse povo, eles não vão parar de pedir”, entre muitos outros com expressões ainda mais agressivas.
Avaliando os diversos pontos de vista levanto alguns questionamentos para reflexão: Você que recebe de um salário mínimo ou mais consegue se manter com R$ 600? Em algum momento da sua vida você precisou de doações para sobreviver? Você se dispôs a mostrar sua imagem em grupos de redes sociais, mesmo sabendo do julgamento que sofreria, para pedir ajuda para ter algo para comer? Para você que já ajudou alguém, você o fez esperando algo em troca? E você que não ajudou, justificou o que para não o ter feito?
A reflexão aqui não é política, vai um pouco além, é sobre humanidade e empatia. Reconheço que mesmo se eu quisesse não seria capaz de sobreviver com R$ 600 tendo que pagar aluguel, despesas da casa e alimentação, aliás, mesmo se não tivesse o aluguel, dizer que esse valor é o suficiente para passar o mês com duas crianças para alimentar é bastante questionável, mesmo sabendo que ajudou muita gente que antes da pandemia não possuía nem metade dessa renda.
Mas o que de fato questiono é por que há tanto julgamento a uma pessoa que está pedindo ajuda no momento que não tem algo para comer? Por que “apedrejar” com palavras uma pessoa por estar passando fome e precisar tirar da própria boca para alimentar uma criança que foi abandonada pelo pai? Como julgar mesmo sem conhecer e apontar o dedo para quem está implorando por socorro?
Para você que faz esse tipo de julgamento, eu gostaria apenas de entender qual é o parâmetro que você utiliza para fazer uma caridade? Ou cabe a pergunta, você faz caridade? Ajuda o próximo ou apenas julga?
Odeio clichês, mas sabe aquela lei do retorno, aquela que nunca falha? Já ouviu aquela frase “o mundo dá voltas” ou para os mais irônicos “o mundo não gira, ele capota”? Pois bem, você já pensou que um dia você ou alguém da sua família pode precisar de ajuda? Às vezes não é a ajuda financeira, porque você tem posses e talvez nunca faltará comida na sua mesa (que assim seja), mas outro tipo de ajuda a qual você também dependerá da empatia e da caridade do outro.
Depois de tantos questionamentos deixo apenas mais um para reflexão: Quais as consequências que você terá por ajudar alguém? E quais serão as consequências por não ajudar?
Acredite, um dia você também será julgado, pode não ser nesse plano, mas o julgamento virá! Mais do que os seus atos bons ou maus, você será julgado especialmente pelo o que você não fez e poderia ter feito.
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