• Maycon Corazza
  • FOLHA PRESS

16 Agosto 2018 | 16h29min

A cúpula do PT avalia que a postura da PGR (Procuradoria-Geral da República) em relação ao registro da candidatura de Lula reforça o discurso de que o ex-presidente é perseguido pela Justiça, e deve servir de combustível para a estratégia do partido.

Com aval de Lula, a ordem dentro do PT é manter o enfrentamento com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para fortalecer a tese de vitimização do ex-presidente. Na opinião de dirigentes petistas, isso será fundamental para a transferência de parte do eleitorado de Lula para Fernando Haddad, hoje candidato a vice e seu provável substituto na urna.

Poucas horas após Lula ser protocolado como candidato no TSE, nesta quarta-feira (15), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contestou o registro do ex-presidente sob o argumento de que ele é inelegível por ter sido condenado em segunda instância no caso do tríplex em Guarujá (SP). 

Nesta quinta-feira (16), Dodge pediu então para o TSE acelerar o prazo do processo de Lula, e quer que comece a contar, desde já, os sete dias que a defesa tem para se manifestar sobre o questionamento da candidatura.

Os petistas, por sua vez, tentarão retardar os prazos, mas os advogados e auxiliares políticos do ex-presidente estavam cientes de que o encaminhamento se daria o mais rápido possível. Segundos eles, a tentativa é deixar Lula fora do horário eleitoral gratuito, que começa em 31 de agosto.

A defesa do ex-presidente entrará com pedidos para que ele participe dos debates e do horário eleitoral. Como mostrou a Folha de S.Paulo, a estratégia foi colocada em prática já na noite desta quarta, com uma ação solicitando a presença de Lula no debate da RedeTV!, nesta sexta-feira (17).

Aliados de Haddad, porém, ainda têm dúvidas sobre a eficácia dessa tática. Para eles, esticar ao máximo a substituição de Lula, duelando com a Justiça até o limite, não é garantia de que, quanto mais perto do primeiro turno, mais força o ex-presidente terá para empurrar seus eleitores para o colo de seu plano B.

A campanha oficial deste ano é curta. Serão 51 dias para Haddad circular na difícil seara na qual se construirá como presidenciável ao mesmo tempo em que tentará evitar o esvaziamento do discurso de que o candidato de fato seria Lula.

Publicamente, o ex-prefeito afirmou não temer que sua campanha na rua naturalize a ideia, já corrente, de que o ex-presidente não poderá disputar as eleições. Haddad diz que sua missão é transmitir a mensagem do padrinho político enquanto ele estiver preso.

"Não há esse temor [de esvaziar o discurso de que Lula é o candidato]. Ele precisa ter alguém que expresse o seu plano de governo. Não seria justo que ele não tivesse nem o vice podendo enviar sua mensagem para o país", declarou o ex-prefeito pouco antes de ser registrado vice na chapa do PT ao Planalto.

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