Ex-presidente do Flamengo relembra ‘corte na carne’ para equilibrar finanças

Foram diversos ajustes financeiros: renegociação e pagamento de dívidas, cortes de gastos principalmente no departamento de futebol e investimento maior na infraestrutura do clube do que...

Publicado em

Por Agência Estado

Campeão da Copa Libertadores e do Brasileirão, o Flamengo celebrou duas grandes conquistas no mesmo final de semana após passar anos sem conquistas de peso no cenário nacional e internacional. O período sem maior brilho coincidiu com a presidência de Eduardo Bandeira de Mello, que comandou o clube entre 2013 e 2018. Em entrevista ao Estado, o ex-dirigente do Fla disse que o principal foco da sua gestão foi reequilibrar as finanças. Ou, como ele mesmo diz, “cortar na carne”.

Foram diversos ajustes financeiros: renegociação e pagamento de dívidas, cortes de gastos principalmente no departamento de futebol e investimento maior na infraestrutura do clube do que em reforços. Um caso logo no primeiro mês da gestão Bandeira de Mello exemplifica o planejamento daquela diretoria: o Flamengo abriu mão do atacante Vagner Love, que retornou ao CSKA, da Rússia.

À reportagem, Bandeira de Mello recordou os sacrifícios que teve de fazer e mostrou-se orgulhoso por hoje o clube poder gastar quase R$ 200 milhões apenas em contratações. No fim do ano passado, ele não conseguiu eleger o candidato de sua chapa, Ricardo Lomba, e atualmente é rompido com a atual diretoria encabeçada por Rodolfo Landim.

“Pegamos um clube desacreditado e sem credibilidade. Entendemos que o caminho para a recuperação era equilibrar o clube financeiramente. No meu discurso de posse, eu disse que precisávamos equacionar os passivos financeiro, ético e moral. Claro que teve gente impaciente, até mesmo na imprensa, que criticava bastante e falava que tinha que ganhar título imediatamente, mas a maioria da torcida compreendeu e estamos colhendo frutos”, afirmou Bandeira de Mello.

“Tivemos de cortar na carne. Com duas semanas de gestão, mandamos o Love embora. Trabalhamos com um time modesto no início, algo que era necessário. Mas fomos melhorando ao longo dos anos e o time passou a ter mais resultado em campo, foi para a Libertadores. Passamos a investir mais, como nos casos de Guerrero, Diego, Everton Ribeiro e Vitinho. No fim do ano passado, o clube já estava com uma situação financeira confortável para fazer os investimentos desta temporada”, acrescentou o ex-presidente.

Com Bandeira de Mello, o Flamengo conseguiu o título da Copa do Brasil de 2013 e três troféus do Campeonato Carioca. Ele admitiu que teve erros durante sua gestão, mas acredita que tomou mais atitudes positivas para o clube. “Todo mundo erra, como aconteceu algumas vezes, de trocar de técnico ou não, por exemplo. Mas, de uma maneira geral, tenho muito orgulho da minha gestão. Fizemos uma revolução financeira e estrutural. Houve muita disposição para fazer sacrifícios, sem pensar em questões políticas”, disse.

OVACIONADO POR TORCIDA E SEM RELAÇÃO COM DIRETORIA – Como torcedor, Bandeira de Mello viajou a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores contra o River Plate, da Argentina. Ele foi ovacionado pelos torcedores no estádio. Com a atual diretoria, porém, a relação não é assim. O ex-presidente não tem contato com Rodolfo Landim. Neste ano, Bandeira de Mello foi acusado de ter interferido nas eleições e poderia ter sido expulso do clube, mas foi absolvido pelo Conselho de Administração.

“Foi uma experiência como torcedor, como várias outras que tive. Agora, voltei para a arquibancada. A torcida é extremamente carinhosa comigo, não tenho nada a reclamar, só tenho a agradecer”, disse Bandeira de Mello, que explicou por que teve de pagar ingresso para a decisão da Libertadores, algo que viralizou entre torcedores nas redes sociais. “Eu nem pedi. Eles tentaram me expulsar do clube, como que iam me dar ingresso?”, questionou.

Com o título da Libertadores, Bandeira de Mello agora pensa em ir ao Catar para acompanhar o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro. “Ainda não está sacramentado, mas acho que eu vou, sim.”

SEM DETALHES SOBRE TRAGÉDIA – O Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, foi construído durante a gestão de Bandeira de Mello. O ex-presidente foi indiciado por dolo eventual por causa do incêndio no alojamento da base que matou dez garotos. Ele evitou entrar em detalhes sobre o processo, mas disse que confia que provará sua inocência.

“Não gosto de entrar nesses detalhes em respeito à Justiça, mas tenho certeza de que tudo vai se resolver, já examinamos tudo do processo. É uma situação muito triste, mas claro que não se compara à tristeza da tragédia”, afirmou.

Questionado se o clube deveria indenizar os familiares mais rapidamente, Bandeira de Mello fez uma cobrança. Até agora, das dez vítimas, foram realizados quatro acordos. “Isso eu não estou acompanhando, mas acho que o clube tem que zelar pela sua imagem e responsabilidade”, opinou.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X