Arthur do Val teve de reviver o ‘Mamãe Falei’

A campanha fez apostas. A primeira delas partia da análise de que o candidato precisava de um reposicionamento de sua imagem pública. A postura provocativa e...

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Por Agência Estado

Seu filho provavelmente conhece Arthur do Val, o “Mamãe Falei” (e talvez até tenha tentado te convencer a votar nele). Quem acompanhou pelas redes sociais os debates e entrevistas com candidatos a prefeito de São Paulo não pôde deixar de reparar, nos formulários de comentários, a presença massiva de apoiadores do candidato do Patriota. Esse é o principal trunfo, mas também o maior desafio do deputado estadual, youtuber e empresário em sua primeira disputa pelo Executivo: há engajamento entre seus fãs, mas como transformar isso em voto?

A campanha fez apostas. A primeira delas partia da análise de que o candidato precisava de um reposicionamento de sua imagem pública. A postura provocativa e bélica de militante do MBL que o tornou conhecido não condizia com o que se espera de um candidato a prefeito, na avaliação de sua equipe. Ele precisava transmitir seriedade. Daí veio a ideia de usar só “Arthur do Val” na urna, e não o “Mamãe Falei” de seu canal no YouTube. Duas semanas de campanha depois, porém, veio a percepção de que a aposta foi um erro. “Foi um problema. As pessoas conheciam o ‘Mamãe Falei’, não o Arthur”, diz Rubinho Nunes, advogado do candidato. E então seu codinome das redes passou a ser sua marca de campanha.

Com esta identidade recuperada, foi como se Arthur tivesse sido autorizado a realmente começar a campanha: e então “Mamãe Falei” foi mais “Mamãe Falei” do que nunca. Arthur ganhou holofotes nos confrontos. Atirou para todos os lados. Procurou rivalizar sobretudo com a esquerda, tendo Guilherme Boulos (PSOL) como seu alvo favorito, mas também protagonizou embates com Orlando Silva (PCdoB) e Jilmar Tatto (PT).

A campanha de Arthur bem que tentou conciliar os ataques aos adversários sempre com um contraponto propositivo, mas nas redes o resultado nunca foi diferente: o que fez sucesso não foi a “Escola 360” ou o “Plano Locomotiva”, por exemplo, mas sim as “jantadas” de Arthur, expressão que seus fãs gostam de usar quando acham que o candidato mandou bem em algum embate. Não difere muita coisa das “mitadas” bolsonaristas ou das “lacradas”, mais associadas à esquerda. Só não diga isso aos apoiadores de Arthur.

“Mamãe Falei” tentou se mostrar diferente de tudo e de todos. Deixou claro que, apesar dos votos de confiança no passado, agora é um opositor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do governador João Doria (PSDB). Nisso, arranjou briga também com outros candidatos da direita, como Joice Hasselmann (PSL), que o mandou “lavar a boca”, e Celso Russomanno (Republicanos) que, no debate do Estadão, mandou Arthur “enfiar a cabeça embaixo do rabo” – sem dar detalhes de como seria isso.

Ainda que as pesquisas mais recentes indiquem uma possibilidade pequena de que Arthur chegue ao 2.º turno – ele aparecia com 7% no levantamento de ontem do Ibope/Estadão/TV Globo -, sua candidatura já é celebrada pelo MBL.

A disputa pela Prefeitura foi a vitrine que o movimento buscava para começar a se preparar para disputas maiores: uma ala do grupo defende que o MBL tenha representantes nas disputas pelo governo do Estado e pela Presidência em 2022. “Vamos ver uma direita independente do bolsonarismo”, explica o deputado federal Kim Kataguiri (DEM), braço direito de Arthur na campanha.

O canal de Arthur no YouTube tem hoje 2,7 milhões de inscritos. Mais de 90% dos que assistem aos vídeos são do sexo masculino e quase 70% têm entre 18 e 34 anos. Apesar de a militância online de Arthur estar distribuída por todo o País e, portanto, não representar apenas potenciais eleitores paulistanos, coordenadores da campanha apostaram no barulho do engajamento.

Para Kim, Arthur deu atenção a grupos que não costumavam ter direcionamento político, como os gamers, e preencheu o espaço vago de uma candidatura competitiva de direita na cidade. “Não teve um candidato forte verdadeiramente direitista. É um eleitorado que ficou órfão. A gente não sabia que esse vácuo iria existir.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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