• Ricardo Oliveira
  • EM

04 Março 2018 | 15h21min

Depois de quase cinco meses de internação e cuidados intensivos, já se recupera em casa a professora Marley Simone Lima Antunes, de 43 anos, a última vítima do incêndio criminoso na Creche Gente Inocente, em Janaúba, que estava internada. 

Ela deixou o Hospital Regional da cidade do Norte de Minas na noite de sexta-feira. A tragédia aconteceu na manhã de 5 de outubro de 2017, quando o vigia Damião Soares dos Santos, de 50, invadiu e ateou fogo ao Centro Municipal de Ensino Infantil (Cemei), matando a si próprio e provocando a morte de 13 pessoas – 10 crianças, uma professora e duas auxiliares. Mais de 40 ficaram feridas.

Marley Simone teve 40% do corpo queimado e foi levada inicialmente para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, ainda no dia da tragédia. Em 16 de fevereiro passado, após permanecer quatro meses e 11 dias no pronto-socorro de BH, a professora foi transferida em um helicóptero do governo de Minas para o Hospital Regional de Janaúba, para ficar perto da família. Depois de passar por vários procedimentos de enxerto de pele, ela apresentava quadro estável, o que permitiu a transferência.
Ontem, já em casa, a professora falou com exclusividade ao Estado de Minas. “Agradeço muito a Deus por tudo o que Ele fez por mim, e a todas as pessoas que me ajudaram. E foram muitas”, disse Marley, muito emocionada. “Agora, o que mais quero é me recuperar”, afirmou, confessando também que estava ansiosa para voltar para a convivência com a família, no Bairro Rio Novo, perto do seu local de trabalho, onde aconteceu a tragédia. O prédio do centro de educação infantil incendiado foi demolido e, no mesmo lugar, com doação de um grupo de empresários, está sendo erguida outra creche.
Ao retornar para casa, além do carinho do marido e dos três filhos, a professora vítima do incêndio na creche ganhou uma recepção de amigos e colegas de trabalho. Foram espalhadas pelos cômodos mensagens bíblicas, entre elas uma que diz: “Seja alegre na esperança; sede paciente na tribulação e persevere na oração”.
O comerciante Alberto Borges Santos, marido de Marley Simone, disse que, em atendimento a recomendação médica, precisou fazer algumas reformas na casa para que a professora pudesse receber alta e continuar o tratamento. Uma das adaptações foi em um banheiro, com a retirada do box e alargamento da porta, para dar passagem a uma cadeira de rodas. Para as obras, o comerciante explica que, além de usar recursos próprios, contou com a ajuda de amigos e voluntários.

DEDICAÇÃO Alberto era dono de um bar em Janaúba, mas teve de fechar o estabelecimento depois da tragédia, quando viajou para Belo Horizonte para acompanhar o tratamento da mulher. O comerciante explicou que, apesar de a professora ter recebido alta, ele vai continuar dedicando todo o tempo a ela. “Enquanto minha mulher estiver em recuperação, não posso trabalhar. Estarei sempre cuidando dela, pois sou eu que dou banho e troco os curativos”, explica. Os cuidados contam também com a ajuda dos três filhos do casal:  Daniel, de 18; Caio Alberto, de 15; e Sara Cristina, de 13.
Dando continuidade ao tratamento em casa, Marley Simone recebe a assistência de equipe multidisciplinar da Secretaria Municipal de Saúde de Janaúba, especialmente treinada para cuidar de vítimas com queimaduras. Nessa fase da recuperação, ela ainda precisa de fraldas geriátricas, sabonete líquido e outros produtos, recebidos de doações de voluntários.

As informações são do EM.

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Comentários (1 comentário)

  • Eu
    3
    0
    7 meses atrás às 16:10h
    Essa sim é uma HEROINA, não esse bosta do neymar, cade a divulgação na mídia nacional?