Milhares tomam as ruas de Paris para protestar contra o feminicídio

Todos os anos na França, 250.000 mulheres são vítimas de violência e, a cada dois dias, uma mulher é morta por seu cônjuge ou ex-cônjuge. Diante...

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Por Agência Estado

Milhares de pessoas marcharam no sábado, 23, em Paris, pedindo ao governo que adote medidas mais efetivas de combate ao feminicídio e ao abuso contra mulheres na França. Atendendo a um chamado do coletivo #NousToutes – ou Todas Nós, em português -, uma “maré roxa”, tomou as ruas da capital francesa.

Todos os anos na França, 250.000 mulheres são vítimas de violência e, a cada dois dias, uma mulher é morta por seu cônjuge ou ex-cônjuge. Diante dessa realidade, a organizadora da marcha, Caroline de Haas, e seu coletivo #NousToutes pediram a Emmanuel Macron para decretar um plano de emergência.

Uma onda de bandeiras roxas serpenteava da Place de l’Opera pelo leste de Paris em meio a uma campanha pública sem precedentes para condenar a violência contra as mulheres – e para homenagear as 130 mulheres, que as ativistas dizem ter sido mortas na França este ano.

Embora a França tenha uma reputação progressiva e defenda os direitos das mulheres em todo o mundo, ela tem uma das taxas mais altas da Europa de violência doméstica, em parte devido à fraca resposta da polícia a denúncias de abuso. Muitas das mulheres mortas este ano já haviam procurado ajuda da polícia.

Na marcha de sábado – uma das maiores manifestações deste ano em Paris – estrelas francesas de cinema e TV juntaram-se a vítimas de abuso e ativistas que pediam o fim do feminicídio.

O protesto ocorreu no Dia Internacional da ONU para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e tem como objetivo pressionar o governo francês antes que ele divulgue medidas nesta segunda-feira, 25, para enfrentar o problema.

Espera-se que as medidas incluam a apreensão de armas de fogo de pessoas suspeitas de violência doméstica e priorize o treinamento policial, para que não descartem as denúncias das mulheres por considerá-las um ‘assunto privado’.

“Vivemos em uma cultura que encontra desculpas para os agressores”, disse à Associated Press Alyssa Ahrabare, porta-voz do grupo ativista Osez le Féminisme (Try feminism). Ela pediu um melhor treinamento para as pessoas nas delegacias e hospitais, que entram em contato com vítimas de violência doméstica, e mais abrigos para mulheres vítimas de abuso.

Uma pesquisa da UE em 2014 com 42.000 mulheres em todos os 28 Estados membros constatou que 26% das entrevistadas franceses disseram já ter sido abusados por um parceiro. O índice está abaixo da média global de 30%, segundo a ONU. Mas está acima da média da UE e é a sexta maior taxa entre os países da UE.

Béatrice Donnard, 54 anos, ativista do grupo NousToutes (Todos nós), observou que os assassinatos geralmente ocorrem quando um casal se separa, dizendo: “É um sistema inteiro que precisa ser derrubado”.

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