Uma visão do espaço

“Enquanto estávamos finalizando a série a distância, percebemos como ela tinha uma ressonância que jamais tínhamos imaginado”, disse o produtor executivo Jason Katims (Parenthood, Friday Night...

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Por Agência Estado

A retomada das missões espaciais na vida real – agora, em parceria com a iniciativa privada – reflete-se na televisão e no cinema. Há desde comédias como Space Force e Avenue 5 até dramas que reinventam a história como For All Mankind, ou existenciais como Ad Astra – Rumo às Estrelas. Away, que acaba de entrar no ar na Netflix, usa a exploração espacial como tempero para um drama familiar sobre distanciamento com o qual todos podem se identificar – ainda mais em tempos de pandemia.

“Enquanto estávamos finalizando a série a distância, percebemos como ela tinha uma ressonância que jamais tínhamos imaginado”, disse o produtor executivo Jason Katims (Parenthood, Friday Night Lights) em evento virtual da Associação de Críticos de Televisão, no início de agosto. “Por exemplo, a ideia de não poder estar com as pessoas mais essenciais. A ideia de tomar a decisão mais importante de sua vida, sem estar com seu marido ou mulher ou filhos. A ideia de estar preso num lugar por meses a fio sem sair na rua. Isso tudo me fez lembrar que a série trata de muitas coisas, mas, na sua essência, fala do espírito humano e, mais especificamente, do que esse espírito humano é capaz quando desafiado.”

Na série, Hilary Swank é Emma Green, a comandante da primeira missão espacial a Marte. É uma empreitada internacional. A seu lado na nave estão o russo Misha (Mark Ivanir), a chinesa Lu (Vivian Wu), o britânico Kwesi (Ato Essandoh), nascido em Gana, e o indiano Ram (Ray Panthaki). Emma deixou para trás o marido Matt (Josh Charles), que é engenheiro da Nasa e projetou a nave, e a filha adolescente Alexis (Talitha Bateman). Assim que chega à Lua, primeira parada da viagem com duração de três anos, Emma descobre que seu marido teve um problema médico sério. Ela prossegue ou retorna? É com esse tipo de drama que a série lida.

“Eu nunca achei que ia fazer uma série no espaço. Não é minha praia”, disse Katims. Mas, depois de ler um artigo na revista Esquire, escrito pelo astronauta Chris Jones, que falava sobre a dificuldade de ficar longe da família por tanto tempo estando no espaço, viu que havia uma proximidade com o que tinha feito antes. “Pensei em fazer uma série que tivesse o lado épico e grandioso da exploração espacial e também fosse íntima e pessoal, sobre a nuance dos relacionamentos.”

Para Hilary Swank, duas vezes vencedora do Oscar, Emma era um ser humano cheio de camadas – e, portanto, um verdadeiro playground para uma atriz. “Eu adoro que a comandante dessa missão é uma mulher, mas que este não é o drama da história”, afirmou Swank. “E também ela ser um ser humano com vulnerabilidades, e isso seja uma força e não uma fraqueza.” Ela também elogiou como o mundo representado na tela é cheio de cores e origens diferentes. “Nos meus 29 anos de carreira, vi majoritariamente histórias sob o ponto de vista de homens brancos. Aqui é diferente. Ainda temos uma caminhada pela frente, mas a série é um lindo reflexo da direção que estamos tomando.”

A produção tomou todo o cuidado para ser o mais realista possível, com consultoria da Nasa e de Chris Jones. Os atores atuaram presos por cabos, para poder simular a gravidade zero. Os trajes e equipamentos foram feitos como os dos astronautas de verdade, pesando cerca de 15 quilos. Hilary Swank, que queria ser astronauta quando pequena, aceitaria na hora ir para a Lua. “Me fascina a ideia de olhar do alto para a Terra, ver sua beleza e como estamos todos conectados, porque não existem de fato fronteiras.”

Em suas conversas com astronautas, o criador da série, Andrew Hinderaker, percebeu que essa é uma observação comum. “Eles passaram a vida olhando globos e mapas com linhas dizendo onde um país começava e outro terminava. E aí olham para baixo e veem que isso não existe, que foi inventado por pessoas. Uma astronauta me disse que no espaço se lembrou que viver sob a força da gravidade é apenas uma forma de viver, que há outras. Tudo isso é muito transformador.” Ele acha que agora, mais do que nunca, a esperança oferecida pela exploração espacial é bem-vinda. “É o momento de nos lembrarmos do que somos capazes e do que acontece quando acreditamos na ciência e quando o mundo trabalha em conjunto.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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