Dólar fecha agosto com alta de 5,05%, a maior desde março

O dólar à vista fechou a segunda-feira, 31, em alta de 1,21%, cotado em R$ 5,4806. O real teve o segundo pior desempenho ante o dólar...

Publicado em

Por Agência Estado

O dólar voltou a subir, com renovadas preocupações sobre a situação fiscal do Brasil, que persistiram após o governo entregar ao Congresso a proposta de Orçamento para 2021, que prevê déficit primário de R$ 237,3 bilhões no ano que vem para o setor público consolidado e ainda rombo acima de R$ 150 bilhões em 2022 e 2023. Com a nova alta, a moeda americana fechou agosto acumulando valorização de 5,05%, a maior desde março, quando disparou 16% em meio ao início da pandemia do coronavírus e das medidas de distanciamento social. Em 2020, a divisa dos EUA sobe 36,6%.

O dólar à vista fechou a segunda-feira, 31, em alta de 1,21%, cotado em R$ 5,4806. O real teve o segundo pior desempenho ante o dólar nesta data, perdendo apenas para o rand da África do Sul. No mercado futuro, o dólar para outubro, que nesta segunda-feira passou a ser o contrato mais líquido, fechou em alta de 1,98%, cotado em R$ 5,4980.

Em dia de disputa entre grandes investidores pela definição do referencial Ptax, usado em contratos cambiais e balanços corporativos, o dólar chegou a encostar em R$ 5,50 mais cedo, com os “comprados”, que ganham com a valorização da moeda americana, pressionando as cotações para cima.

Para o diretor de Tesouraria do Banco Daycoval, Paulo Saba, o principal fator a influenciar as cotações nesta segunda-feira no câmbio, o imponderável, é a questão fiscal no Brasil. “É o fiscal e a movimentação política em torno do fiscal. O misto disso está fazendo preço e vai continuar em setembro”, diz ele. “Hoje, a apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2021 foi a pontinha do iceberg”, completou. Neste ambiente, Saba acredita que o dólar deve continuar pela frente na faixa de R$ 5,40 a R$ 5,60. “O mercado não vai largar esse osso para já, enquanto não tiver um pouco mais claro sobre como o governo equilibra despesas e receitas. O fiscal é o que tem predominado nas mesas de operações. Empresas vão esperar para vender câmbio”, disse ele.

A analista de moedas e mercados emergentes do banco alemão Commezbank, You-Na Park-Heger, também está pessimista com o real e observa que a moeda brasileira deve seguir depreciada até 2021, em meio a uma série de riscos, que vão desde a forte piora fiscal do Brasil, em ritmo mais intenso que outros emergentes, às dúvidas sobre os rumos da atividade econômica em meio ainda ao crescimento dos casos de coronavírus, o que por sua vez pode exigir mais aumento de gastos do governo. “Não esperamos que o real se recupere ao menos até o próximo ano.”

Os analistas do JPMorgan avaliam que a política fiscal para 2021 está “no fio da navalha”, em um equilíbrio “muito instável”.

Nesse ambiente, o mercados financeiro permanece preocupado com a possibilidade de “uma abordagem de política econômica mais populista” por parte do governo, já de olho nas eleições de 2022, ressalta o banco em relatório.

Veja Mais

Whatsapp CGN 9.9969-4530 - Canal direto com nossa redação

Envie sua solicitação que uma equipe nossa irá atender você.


Participe do nosso grupo no Whatsapp

ou

Participe do nosso canal no Telegram

Sair da versão mobile
agora
Plantão CGN
X