Código secreto, casa-fachada e batismo: os bastidores da megaoperação contra o PCC em Curitiba
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Por Redação CGN
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A sentença que condenou um investigado a mais de 10 anos de prisão por ligação com o PCC em Curitiba — divulgada em reportagem anterior da CGN — reúne dezenas de depoimentos com detalhes curiosos sobre a rotina do grupo. Levantamento da CGN reuniu os trechos mais chamativos do processo, que revelam desde um código secreto do tráfico até uma casa usada como fachada e um ritual de ingresso na facção.
O código secreto para falar de droga
Segundo os depoimentos, os investigados evitavam citar “cocaína” ou “maconha” diretamente nas conversas. Em vez disso, usavam palavras como “peixe”, “pão” e “verde” para se referir às drogas. Já a substância usada para adulterar a cocaína e aumentar o volume vendido era chamada de “brilho” — que, segundo a apuração policial, seria ácido bórico.
A casa com TV ligada para enganar os vizinhos
Um imóvel identificado nos autos apenas como “Casinha” funcionava como local de preparo de cocaína. Apesar de não ter moradores, o local era mantido com TV e luzes acesas para simular que alguém vivia ali. Segundo uma policial que participou da investigação, o local permanecia fechado a maior parte do dia, sendo aberto apenas quando um dos investigados chegava para iniciar o preparo da droga, retornando à tarde para verificar se já estava pronta para distribuição.
“Bodybuilder profissional”: a versão para justificar balanças e suplementos
Durante o cumprimento de mandado de busca, a polícia apreendeu balanças de precisão e potes de creatina na casa de um dos investigados. Em depoimento, ele negou envolvimento com tráfico e afirmou ser “bodybuilder profissional”, com “alimentação regrada” — segundo ele, os itens eram usados para pesar comida e complementar o treino, não para preparar entorpecentes. Uma prensa hidráulica também apreendida no local, segundo a defesa, estava quebrada e nunca havia sido usada.
O ritual de “batismo” da facção
A sentença descreve que um dos investigados teria conduzido pessoalmente o ritual de ingresso de um novo integrante na organização criminosa — um “batismo” que, segundo a denúncia, está ligado ao chamado “Livro Branco” da facção, procedimento reservado a membros que já têm autoridade reconhecida dentro do grupo.
Depósitos “picados” para não chamar atenção
Uma testemunha relatou que parte da movimentação financeira do esquema era feita em valores fracionados — os chamados “valores picados” — depositados em contas de terceiros para dificultar o rastreamento pelas autoridades. Um dos investigados chegou a afirmar que movimentava cerca de R$ 400 mil por mês com a revenda de veículos, valor usado para tentar justificar a origem lícita do dinheiro que circulava em suas contas.
Seis dias de vigilância, 14 horas por plantão
Para reunir provas contra o grupo, uma policial relatou ter permanecido até 14 horas seguidas em campanha de vigilância, ao longo de seis dias, apenas para mapear a rotina de idas e vindas dos investigados no imóvel usado como laboratório.
