Dólar recua a R$ 5,10 com apetite externo ao risco e eleição no radar
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Por Agência Estado
O dólar abriu a semana em queda firme frente ao real e chegou a esboçar romper o piso de R$ 5,10, em dia de maior apetite ao risco no exterior, com a quarta queda consecutiva do petróleo, embora o barril do Brent siga ao redor de US$ 100, e a expectativa de melhora nas relações entre Estados Unidos e China. Os presidentes dos dois países, pela ordem, Donald Trump e Xi Jinping, têm reunião nesta semana em território americano em meio a negociações sobre tarifas e inteligência artificial.
O real figurou entre as três divisas mais líquidas com melhor desempenho, amparado, segundo operadores, pelas apostas crescentes em uma vitória da oposição na corrida presidencial e, por tabela, em um ajuste nas contas públicas.
As pesquisas eleitorais mais recentes apenas confirmam o quadro de empate técnico entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno. O mercado ficou na expectativa da divulgação, prevista para o período da noite, do novo levantamento da Quaest sobre a disputa ao Planalto.
“Pelo Polymarket, a probabilidade de mudança de governo está na máxima da série. Talvez o mercado esteja algo exageradamente confiante nesse resultado”, afirma, em nota, o economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, em referência aos dados de uma plataforma digital de previsões.
Após mínima de R$ 5,1030, no início da tarde, o dólar à vista fechou em baixa de 0,70%, a R$ 5,1084. A moeda norte-americana acumula perdas de 1,38% frente ao real em setembro, após a valorização de 2,16% em agosto, quando a perspectiva majoritária era de reeleição do presidente Lula. No ano, recua 6,93%. O real está no grupo das cinco divisas com maiores ganhos em relação ao dólar em 2026.
Para o estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, Mark McCormick, os “mercados deveriam se concentrar menos no vencedor” da eleição e mais em se a “próxima administração vai enfrentar o problema fiscal de forma voluntária ou se vai esperar que os mercados forcem o ajuste”.
“Ambos os candidatos herdam o mesmo problema: uma trajetória de dívida desafiadora”, afirma Mark McCormick, que se diz “cauteloso” em tratar qualquer desfecho da corrida presidencial como “duradouramente favorável ao real”.
Ele pondera que a perspectiva de mais aperto monetário nos EUA, conjugada a eventuais cortes mais agressivos da Selic, pode reduzir o apelo do carry trade.
O diretor de tesouraria do Braza Bank, Bruno Perottoni, destaca que, apesar da apreciação do real, os sinais são de busca elevada por dólares no segmento à vista, com queda do “casado” (diferença entre dólar à vista e futuro) e aumento do cupom cambial (taxa de juros em dólar no Brasil). “Não digo que haja escassez de moeda que provoque disfuncionalidade, mas uma demanda maior, até do que seria normal para essa época do ano”, afirma Perottoni.
O Banco Central já interveio três vezes no mercado neste mês, com oferta total de US$ 3 bilhões no mercado spot – US$ 2 bilhões conjugados com venda de dólar futuro, via oferta de swaps cambiais reversos – e US$ 1 bilhão em linha (venda com cláusula de recompra). Operadores veem a possibilidade de novas atuações do BC se não houver alteração na dinâmica do fluxo.
Com perdas na comparação com a maioria das divisas emergentes, o dólar ganhou força em relação ao euro, iene e libra. O índice DXY subia 0,21% perto do fim da tarde, aos 100,428 pontos, perto da máxima de 100,451 pontos. As taxas dos Treasuries de 2 anos tinham ligeira alta, na contramão dos títulos longos, espelhando as chances de mais aperto monetário nos EUA.
O head de estratégia de mercado global da Ebury, Matthew Ryan, observa que a alta dos rendimentos dos títulos soberanos é agora liderada pelos papéis de curto prazo, com a perspectiva de mais altas de juros nos países desenvolvidos. “O dólar se fortalece frente às principais moedas. Traders e economistas estão revisando para cima suas projeções de política monetária”, afirma Ryan.