Petrobras sobe com petróleo e impulsiona Ibovespa, com cena política no radar

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Ao longo da tarde, o mercado adotou um tom mais defensivo e o Ibovespa se afastou das máximas nos 187 mil pontos, com as ações do índice somando um giro financeiro de R$ 15 bilhões.

Por Agência Estado

Na contramão das bolsas norte-americanas, o Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira, 15, em alta de 0,54%, aos 186.502,64 pontos, pautado pela disparada do petróleo no exterior e o efeito positivo disso para as ações da Petrobras. Embora o avanço da commodity traga dúvidas sobre os efeitos para a inflação global, justamente em um momento de alta de juros nos países desenvolvidos, o impulso forte da estatal brasileira acaba ditando o ritmo do desempenho do índice.

Ao longo da tarde, o mercado adotou um tom mais defensivo e o Ibovespa se afastou das máximas nos 187 mil pontos, com as ações do índice somando um giro financeiro de R$ 15 bilhões. A sequência de avanços já faz com o Ibovespa acumule até agora um ganho de 5,12% no mês de setembro.

“A crise no Estreito de Ormuz tem interferido demais no preço da commodity e levando a novos recordes e isso ajuda no ganho de margem da Petrobras”, afirma o assessor de investimentos independente Ricardo Freitas. “Seguiremos com volatilidade aguda nos preços pelas incertezas com esse cenário global.”

O mercado local também observa os desdobramentos no lado político, com foco no julgamento de abertura de uma investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por envolvimento com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Para Marcelo Audi, sócio da Cardinal Partners, para além do movimento do petróleo, esse cenário político tem sido relevante para impulsionar os ativos locais. “O fato de a bolsa estar subindo também tem relação com o ambiente político, a história mostra que, quando temos um evento eleitoral de relevância, que mude de forma material o prêmio de risco, o mercado se descola do cenário macro, como aconteceu em 2018”, afirma.

Em meio à alta do dia, Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, observa que há uma forte tensão no mercado antes de um desfecho para a crise instaurada no STF. “Ter o Supremo como foco de eventuais corrupções gera incertezas em relação ao investidor nacional e estrangeiro”, diz, destacando, ainda, as decisões de política monetária na quarta-feira nos EUA e no Brasil como pontos de atenção para os negócios.

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