Delegado revela contradições de homem preso após perseguir menina de 12 anos na saída da catequese

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Segundo o delegado, o suspeito tentou inicialmente afirmar que a situação não passava de um desentendimento e que estaria conversando com a própria noiva no momento em que a menina passou correndo.

Por Luiz Haab

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O homem de 48 anos preso em flagrante após perseguir uma adolescente de 12 anos em Cascavel apresentou versões contraditórias durante o interrogatório na Polícia Civil. A informação foi detalhada pelo delegado Regis Francisco Palombo durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (15).

Segundo o delegado, o suspeito tentou inicialmente afirmar que a situação não passava de um desentendimento e que estaria conversando com a própria noiva no momento em que a menina passou correndo. Ele também alegou que as expressões “filha” e “espera aí” seriam destinadas à mulher.

A explicação, no entanto, não convenceu os investigadores.

“Em determinado momento do interrogatório, ele afirmou que estaria em uma ligação com a sua noiva e que os dizeres de ‘filha’ e ‘espera aí’ teriam sido direcionados para ela, não para a adolescente”, explicou Palombo.

Questionado sobre o telefone utilizado na suposta ligação, o homem teria indicado uma marca diferente daquela do aparelho apreendido pela Polícia Militar. Conforme o delegado, ao ser confrontado com a informação, o suspeito ficou nervoso e mudou novamente a versão.

“Quando questionado qual era o aparelho celular que ele teria utilizado para fazer a ligação telefônica para a sua noiva, ele teria dito uma determinada marca e, ao ser confrontado pelo fato de o aparelho celular apreendido pela Polícia Militar ser outro, ele apresentou bastante nervosismo”, relatou.

Ainda de acordo com Palombo, o suspeito chegou a afirmar que teria utilizado o celular da própria noiva para fazer a ligação. Depois, diante de novo questionamento, mudou novamente o relato e disse que possuía outros aparelhos em casa.

Para a Polícia Civil, as contradições reforçaram os elementos que levaram à autuação em flagrante pelo crime de perseguição majorada.

O delegado também detalhou o momento em que a adolescente buscou ajuda. De acordo com o relato apresentado pela mãe da menina, ela teria chegado a um restaurante bastante abalada após ser seguida por diversas ruas do bairro São Cristóvão.

“A adolescente teria chegado muito chorosa no restaurante e conseguido pedir ajuda, solicitando internet do estabelecimento, e ligou desesperada para a mãe, em prantos e bastante temerosa”, afirmou Palombo.

A perseguição teria começado depois que a menina saiu de uma aula de catequese e caminhava para casa. O homem teria passado a acompanhá-la, tentando forçar uma interação e chamando a adolescente de “filha”.

Com medo, ela entrou em um estabelecimento comercial e pediu ajuda. Depois de receber a ligação da filha, os pais foram até o local e, com as informações repassadas pela adolescente, conseguiram localizar o suspeito no bairro.

A Polícia Civil ainda deverá ouvir testemunhas que estavam no restaurante e analisar o telefone celular apreendido. A adolescente, neste primeiro momento, não foi ouvida formalmente, em razão dos protocolos previstos para atendimento especializado de vítimas menores de idade.

“Em razão da legislação atual, não foi feita a oitiva da adolescente, que necessita de todo um acompanhamento especializado”, explicou o delegado. Segundo ele, a investigação deverá contar com atendimento adequado e escuta especializada.

Outro ponto que chamou a atenção durante a coletiva foi o histórico criminal do homem. Conforme Palombo, a ficha do suspeito reúne registros relacionados a violência doméstica e familiar contra parentes, além de ocorrências envolvendo perturbação do sossego, desacato e resistência contra autoridades.

Diante desse histórico e das circunstâncias do caso, a Polícia Civil representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

“Diante do histórico criminal do sujeito, que apresenta diversos crimes cometidos com grave ameaça e violência à pessoa, foi representado ao Poder Judiciário pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva”, afirmou Palombo.

A Polícia Civil também pretende verificar se o homem já havia monitorado ou seguido a adolescente em outros dias. Segundo o relato inicial da mãe, a menina afirmou que esta teria sido a primeira vez que percebeu esse tipo de comportamento.

“Serão tomadas as investigações para identificar se em outros dias ele também já estaria monitorando ela”, destacou o delegado.

O homem permanece à disposição da Justiça e aguarda a audiência de custódia, que deverá definir se ele responderá ao processo em liberdade ou se a prisão será convertida em preventiva. A investigação terá continuidade pelo NUCRIA de Cascavel.

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