Greve da Caixa completa seis dias. Veja opções para manter contas em ordem em Cascavel

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A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal chegou ao sexto dia nesta terça-feira (15) sem uma solução definitiva e já produz efeitos diretos para quem depende do atendimento presencial do banco.
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Foto: Reprodução/CGN

Por Luiz Haab

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Paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal começou em 10 de setembro e segue sem prazo para terminar; em Cascavel, clientes enfrentam restrições no atendimento presencial enquanto banco e trabalhadores tentam destravar acordo

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal chegou ao sexto dia nesta terça-feira (15) sem uma solução definitiva e já produz efeitos diretos para quem depende do atendimento presencial do banco. Em Cascavel, a paralisação começou na quinta-feira (10), mesmo dia em que o movimento nacional foi deflagrado, e permanece sem previsão de encerramento.

A mobilização ocorre em meio a uma negociação que se arrasta há meses. Segundo a Caixa, foram realizadas 54 reuniões de negociação coletiva durante a campanha salarial, com apresentação de quatro propostas diferentes. O banco afirma que reabriu a mesa de negociação e que continua buscando uma solução que contemple empregados, instituição, clientes e sociedade.

Do outro lado, os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela instituição e decidiram manter a greve por tempo indeterminado. No Paraná, a proposta foi rejeitada por 63,17% dos votos nas bases dos dez sindicatos ligados à Federação dos Bancários do Estado.

O que está travando o acordo?

O principal obstáculo neste momento não está apenas no reajuste salarial, mas principalmente no Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.

A proposta apresentada pela Caixa previa elevar de 6,5% para 8% da folha de pagamento o limite de custeio do plano. Também estabelecia mudanças na forma de contribuição dos trabalhadores, incluindo cobrança de acordo com faixa etária e número de dependentes.

A proposta previa ainda prêmio de R$ 3 mil por empregado e pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em 18 de setembro, caso o acordo fosse aprovado. Os trabalhadores, entretanto, rejeitaram os termos.

A divergência em torno do plano de saúde ganhou peso justamente porque envolve uma despesa recorrente para os funcionários. Para a categoria, alterações no modelo de custeio podem representar aumento da participação dos empregados nas despesas médicas.

A Caixa, por sua vez, sustenta que apresentou avanços sucessivos ao longo das negociações.

Cascavel está dentro da paralisação

Na região de Cascavel, o Sindicato dos Bancários havia comunicado oficialmente que funcionários da Caixa e do Banco do Brasil poderiam paralisar as atividades a partir de 10 de setembro.

No caso da Caixa, a greve foi efetivamente mantida. Já os funcionários do Banco do Brasil aprovaram posteriormente a proposta e encerraram a paralisação no Paraná, deixando a Caixa como o principal foco do movimento entre os bancos públicos na região.

A base territorial do Sindicato dos Bancários de Cascavel abrange, além da própria cidade, municípios como Anahy, Boa Vista da Aparecida, Braganey, Campo Bonito, Cafelândia, Campina da Lagoa, Capitão Leônidas Marques, Catanduvas, Céu Azul, Corbélia, Diamante do Oeste, Guaraniaçu, Ibema, Iguatu, Lindoeste, Matelândia, Nova Cantu, Ramilândia, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Três Barras do Paraná, Ubiratã e Vera Cruz do Oeste.

Isso amplia o alcance regional do problema. A discussão trabalhista, portanto, não fica restrita às agências da Caixa em Cascavel: envolve uma extensa área do Oeste do Paraná.

O que muda para quem precisa da Caixa?

Na prática, o maior impacto da greve está concentrado no atendimento presencial.

Serviços que dependem da presença de funcionários podem sofrer restrições ou exigir que o cliente aguarde o retorno das atividades. Entre eles estão atendimentos relacionados a operações de crédito, procedimentos que exigem análise ou conferência documental e outros serviços que não podem ser integralmente substituídos pelos canais digitais.

Por outro lado, a paralisação não significa que a Caixa deixou de funcionar.

A própria instituição orienta os clientes a utilizarem o aplicativo CAIXA, Internet Banking, WhatsApp CAIXA, CAIXA Tem, aplicativos de cartões, habitação, FGTS e outros canais digitais.

Também continuam disponíveis o atendimento telefônico pelo Alô CAIXA, caixas eletrônicos, casas lotéricas, Correspondentes CAIXA Aqui e terminais da rede Banco24Horas.

A orientação é particularmente importante para pagamentos e movimentações bancárias do dia a dia. A greve não altera automaticamente o vencimento de contas. Por isso, quem possui boleto, financiamento, tributo ou outra obrigação com data determinada deve buscar os canais disponíveis para evitar juros, multas ou outros encargos.

E as contas de água, luz e outros pagamentos?

Para o consumidor de Cascavel e região, um dos pontos de maior atenção está justamente nos pagamentos que tradicionalmente passam pelas unidades físicas.

A Caixa informou que sua rede alternativa continua disponível, incluindo lotéricas e Correspondentes CAIXA Aqui. A localização dessas unidades pode ser consultada nos canais oficiais do banco.

Assim, a paralisação das agências não significa necessariamente a interrupção de pagamentos ou serviços que podem ser realizados pela rede alternativa.

A recomendação, porém, é não deixar pagamentos para a última hora. Com a redução do atendimento presencial, pode haver concentração de clientes nos canais que permanecem funcionando.

Greve começou antes em algumas regiões

Embora o movimento nacional tenha sido deflagrado em 10 de setembro, algumas bases sindicais iniciaram a paralisação antes dessa data.

Em Goiás, por exemplo, funcionários da Caixa entraram em greve em 8 de setembro, após 96,5% dos trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada para o Acordo Coletivo de Trabalho.

No Paraná, a paralisação começou oficialmente em 10 de setembro, mesma data adotada pela mobilização nacional. Em Cascavel, portanto, não houve uma defasagem em relação ao movimento estadual e nacional.

Negociação será retomada

O cenário pode mudar a partir desta quarta-feira (16).

Caixa e representantes dos empregados têm nova rodada de negociação prevista, enquanto a greve permanece sem prazo determinado para acabar. A retomada da mesa ocorre depois que os trabalhadores rejeitaram a última proposta apresentada pelo banco.

A Caixa informou à CGN que acredita que o diálogo é o melhor caminho para a construção de acordos e que reabriu a mesa de negociação com as entidades representativas.

O banco também destacou que, desde o início da campanha salarial, manteve diálogo permanente com os representantes dos empregados e realizou 54 reuniões, apresentando quatro propostas diferentes.

Para os clientes de Cascavel, entretanto, a questão é mais imediata: enquanto trabalhadores e instituição tentam chegar a um acordo, o atendimento presencial segue limitado e a população precisa recorrer aos canais digitais e à rede alternativa.

A tendência, neste momento, é que a duração da greve seja diretamente influenciada pelo resultado da nova rodada de negociações. Se houver avanço no Saúde Caixa e nos demais pontos do acordo coletivo, a paralisação poderá caminhar para uma solução. Caso contrário, a greve continuará pressionando um dos maiores bancos públicos do país e mantendo milhares de clientes dependentes de alternativas ao atendimento tradicional.

Em Cascavel, a recomendação para o consumidor é não esperar a agência reabrir para resolver compromissos que podem ser antecipados. Enquanto a negociação não termina, aplicativo, internet banking, lotéricas, correspondentes e caixas eletrônicos passam a ser as principais portas de acesso aos serviços da Caixa.

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