'Verão da Lata': Filme conta história de latas de maconha que apareceram no litoral brasileiro

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Estrelado por Samantha Schmütz e Babu Santana, Verão da Lata mistura acontecimentos reais com personagens e situações fictícias e explora justamente a fronteira entre os fatos registrados na época e as histórias que surgiram posteriormente.

Por Agência Estado

Cerca de 15 mil latas de maconha lançadas ao mar, um navio procurado pelas autoridades durante 11 dias e uma tripulação que conseguiu deixar o Brasil pelo Aeroporto do Galeão. O episódio ocorrido em 1987, que ganhou o nome de “Verão da Lata”, agora chega aos cinemas em uma comédia policial dirigida por Santiago Dellape.

Estrelado por Samantha Schmütz e Babu Santana, Verão da Lata mistura acontecimentos reais com personagens e situações fictícias e explora justamente a fronteira entre os fatos registrados na época e as histórias que surgiram posteriormente.

As filmagens foram concluídas no fim de 2025, com gravações no Rio de Janeiro e em Maricá. Verão da Lata tem estreia prevista para 19 de novembro.

O que foi o Verão da Lata?

O caso começou com o navio Solana Star, que havia saído da Austrália, passado por Cingapura e seguido em direção aos Estados Unidos. A embarcação transportava cerca de 22 toneladas de maconha.

As autoridades brasileiras receberam um alerta dos Estados Unidos sobre a carga e iniciaram uma operação para localizar o navio no litoral. Diante da possibilidade de chegar ao Rio de Janeiro com o porão cheio de drogas, a tripulação decidiu lançar a carga ao mar antes de entrar na Baía de Guanabara.

Estima-se que entre 13 mil e 15 mil latas tenham sido jogadas na água. O problema para os tripulantes era que os recipientes, usados para proteger a maconha, boiavam.

Latas começam a aparecer nas praias

As latas começaram a chegar ao litoral brasileiro por volta de 20 de setembro de 1987 e foram encontradas em diferentes pontos, principalmente entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Em Maricá, pescadores recolheram cerca de 18 latas, cada uma com aproximadamente 1,5 quilo de maconha, e entregaram o material à polícia.

A descoberta rapidamente chamou a atenção de moradores, surfistas e curiosos, que passaram a procurar os recipientes nas praias. Para as autoridades, a movimentação também dificultava a recuperação da carga.

Apenas uma parte do carregamento original foi apreendida.

O episódio também ganhou espaço fora das páginas policiais. A maconha encontrada nas latas ficou conhecida pela qualidade superior à que circulava no mercado brasileiro, e a expressão “da lata” passou a ser usada como referência a algo considerado especialmente bom.

A história também chegou à cultura popular. A lata apareceu em marchinhas e blocos no Carnaval seguinte e, em 1995, Fernanda Abreu lançou o álbum Da Lata.

O que aconteceu com a tripulação?

A estratégia funcionou parcialmente. Quando o Solana Star chegou à Baía de Guanabara, o navio estava praticamente sem carga.

A investigação, porém, alcançou a tripulação posteriormente. O cozinheiro Stephen Skelton foi preso no Brasil, enquanto os demais tripulantes já haviam deixado o País.

Skelton recebeu uma condenação de 20 anos de prisão em primeira instância, mas foi absolvido em segunda instância após passar cerca de um ano preso.

Caso real inspira filme

A história começou a ser desenvolvida para o cinema há mais de uma década. Davi e Santiago passaram a trabalhar no projeto no fim de 2015 e pesquisaram relatos relacionados ao aparecimento das latas nas praias brasileiras.

Na versão cinematográfica, Babu Santana e Samantha Schmütz interpretam Brasa e Sandra, policiais federais que investigam o caso.

O elenco também conta com Humberto Martins, Leandro Firmino, Rafael Saraiva, Alane Dias, Igor Jansen, Polly Marinho e Paulinho Serra.

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