Advogada denuncia estupro em entrevista de estágio; caso se arrasta há 7 anos na Justiça

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O episódio ocorreu em 4 de outubro de 2019, segundo Marcela.

Por Agência Estado

A advogada Marcela Ribeiro Santos Macedo, de 28 anos, aguarda há 7 anos o desfecho de uma investigação de estupro em que é vítima. Marcela acusa o advogado Silvio Nei Oliveira da Silveira, de 50, de ter cometido o crime durante uma entrevista de estágio em um escritório de advocacia em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

O episódio ocorreu em 4 de outubro de 2019, segundo Marcela. À época com 22 anos e estudante de Direito em uma faculdade particular, Marcela compareceu ao escritório de Silvio Nei para participar de uma seleção de estágio.

Em entrevista ao jornal A Tarde, o advogado Silvio Nei rebateu as acusações e diz que a denúncia é inconsistente.

“Nunca tive uma pontuação criminal antes na minha vida, de nenhuma natureza. Então, cheguei a 43 anos sem ela. Judicialmente, criminalmente é o primeiro processo que eu tenho. Tive processo de divórcio, de alimentos, como qualquer ser humano, processo contra empresas, cobrança de empresa, mas, criminalmente, essa é a primeira pontuação com 43 anos e exercido a profissão de advogado”, afirmou ao jornal.

Marcela conta que, durante a conversa sobre sua vida pessoal e atuação na área jurídica, o advogado encomendou vinho por aplicativo para comemorar a possível contratação e o aniversário dela, ocorrido no dia anterior. A garrafa chegou lacrada e foi aberta na sua frente. Tempos depois, Silvio teria solicitado que o porteiro do prédio comprasse outra garrafa de vinho, pedindo que a abrisse no andar inferior, sob a justificativa de não possuir abridor no escritório.

Após consumir a bebida do copo servido pelo acusado, a advogada começou a passar mal, foi ao banheiro vomitar e, em seguida, perdeu a consciência. Ao acordar, notou o advogado limpando a parede da sala. Marcela foi levada até a sua residência e, no dia seguinte, ao acordar sem se lembrar com clareza dos fatos, foi alertada pela mãe sobre hematomas no pescoço e no seio.

“Minha mãe conversou comigo, (disse) que eu cheguei sem me aguentar em pé, tremendo, falando embolado. E ela me perguntou: “Marcela, o que aconteceu?” Eu falei: “Eu não sei o que aconteceu. Eu já bebi outras vezes e eu nunca fiquei nesse estado. Quando eu peguei o celular, minha mãe falou: “Marcela, seu pescoço tá roxo cheio de chupões”, relatou nas redes sociais.

Orientada por um professor de Direito Penal, a jovem realizou exames de corpo de delito e registrou o boletim de ocorrência na 23ª Delegacia Territorial de Lauro de Freitas.

DNA e laudos toxicológicos

O jornal A Tarde divulgou um laudo de perícia que detectou sêmen no canal vaginal da vítima e confirmou que o perfil genético encontrado na amostra é compatível com o DNA de Silvio Nei, obtido por meio de um copo descartável recolhido em seu escritório.

A ação penal tramita na 1ª Vara Criminal de Lauro de Freitas em segredo de Justiça. Em nota, o Tribunal de Justiça da Bahia diz que “o processo mencionado tramita em segredo de Justiça”.

“Por essa razão, o Tribunal de Justiça não se manifesta sobre o caso, cujo acesso aos autos é restrito às partes, aos advogados e aos órgãos competentes. Esclarecimentos adicionais devem ser solicitados ao Ministério Público do Estado da Bahia ou à delegacia responsável pelas investigações, respeitados os limites legais”, diz.

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