PF: Ao menos R$ 750 mil de recursos públicos abasteceram produtora de filme sobre Bolsonaro

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Inicialmente, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou publicamente que todos os recursos para o filme foram privados, na mesma época em que admitiu ter pedido dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro com o objetivo de bancar o projeto.

Por Agência Estado

A Polícia Federal suspeita que pelo menos R$ 750 mil provenientes de recursos públicos foram desviados para abastecer a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações foram apresentadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino para fundamentar a operação deflagrada nesta quinta-feira, 10, contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros alvos suspeitos de envolvimento nos desvios.

Inicialmente, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou publicamente que todos os recursos para o filme foram privados, na mesma época em que admitiu ter pedido dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro com o objetivo de bancar o projeto. As suspeitas da PF, porém, indicam que o filme pode também ter se beneficiado de desvios de recursos públicos.

A defesa de Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment Ltda., produtora do filme, foi procurada, mas não respondeu. O espaço está aberto.

Essa operação teve como foco os repasses de emendas e recursos públicos a empresas ligadas à produtora do filme. Flávio Bolsonaro e seu pedido a Vorcaro estão sob investigação em um outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça no caso Master.

A PF diz que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) é a principal entidade captadora de recursos da rede investigada, porque firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo e recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mario Frias. O instituto pertence a Karina Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme sobre Bolsonaro.

De acordo com as investigações, o ICB movimentou R$ 83 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Parte desses recursos foram repassados para pessoas ligadas ao próprio Mario Frias, em um processo que a PF vê como uma devolução de recursos públicos investigados.

A investigação analisou parte do caminho do dinheiro até o “Dark Horse” ao detectar que o ICB fez pagamentos a duas editoras ligadas a uma terceira empresa que repassou valores à produtora Go Up.

“Tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB no escopo do Termo de Fomento n.º 971232, cujo objeto somente veio a ter tentativas de execução em 2026, portanto, após o período ora tratado”, diz a PF.

A polícia afirma que os elementos apurados ainda não comprovam a origem direta entre os recursos públicos recebidos pelo ICB e os repasses indiretos à produtora, mas diz que a proximidade temporal mostra relevância nas operações financeiras. Também aponta suspeitas em pagamentos de Mario Frias à produtora, por serem de valor elevado. A PF diz que ele não tinha lastro para realizar esses repasses.

“A Go Up Entertainment, por sua vez, movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período em que recebeu recursos de diversos remetentes, dentre eles a NTT Brasil (R$ 750 mil) e o próprio Deputado Federal Mário Frias (R$ 645,4 mil), sendo que as filmagens da cinebiografia ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, coincidindo temporalmente com as movimentações financeiras analisadas”, afirma a PF.

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