Antes do portal, do rádio e da TV: Gazeta do Rio de Janeiro inaugurava o jornalismo impresso no Brasil

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A publicação surgiu poucos meses depois da chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em um período em que a presença da monarquia também trouxe ao país as estruturas necessárias para a impressão.
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Foto: A Gazeta do Rio de Janeiro, edição número 1 | commons.wikimedia

Por Redação

Em 10 de setembro de 1808, o Brasil dava um passo que mudaria para sempre a forma de registrar e distribuir informações. Naquele dia, circulava a primeira edição da Gazeta do Rio de Janeiro, considerado pela Fundação Biblioteca Nacional o primeiro jornal impresso em território brasileiro.

A publicação surgiu poucos meses depois da chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em um período em que a presença da monarquia também trouxe ao país as estruturas necessárias para a impressão. A Impressão Régia foi criada naquele ano e passou a produzir livros, documentos oficiais e, a partir de setembro, o novo periódico.

O primeiro jornal já nasceu com um detalhe importante

A Gazeta do Rio de Janeiro não era exatamente aquele jornal independente que hoje se imagina quando se fala em imprensa. O periódico estava ligado à estrutura do governo português e divulgava o pensamento oficial da Corte.

Suas páginas traziam notícias sobre acontecimentos na Europa, especialmente relacionados às guerras do período, informações sobre a família real portuguesa, acontecimentos da Corte e até o estado de saúde de príncipes europeus. Tudo isso passava pelo ambiente de controle existente sobre as publicações.

Ou seja: o jornalismo brasileiro começou com uma característica que, olhando de hoje, parece quase uma piada pronta. O primeiro jornal produzido no país já precisava conviver com o poder de quem mandava.

Quatro páginas e muita história

A primeira edição tinha quatro páginas e começou sendo anunciada como uma publicação semanal. Já no segundo número, a Gazeta informou que também circularia às quartas-feiras. Posteriormente, chegou a ser publicada três vezes por semana.

O periódico era redigido inicialmente pelo frei Tibúrcio José da Rocha e permaneceu em circulação até 1821, registrando acontecimentos de um dos períodos mais importantes da formação política e social do Brasil.

Entre as curiosidades está o fato de que o primeiro anúncio publicado no Brasil apareceu justamente na Gazeta, já em sua edição inaugural. O texto anunciava obras que estavam sendo impressas, mostrando que até a publicidade encontrou seu primeiro espaço nas páginas daquele jornal pioneiro.

E o Correio Braziliense?

Existe uma pequena pegadinha histórica nessa história. O Correio Braziliense, de Hipólito José da Costa, começou a circular em junho de 1808, três meses antes da Gazeta. Porém, era produzido e impresso em Londres.

Por isso, a Gazeta do Rio de Janeiro é reconhecida como o primeiro jornal impresso no Brasil, enquanto o Correio Braziliense ocupa outro lugar importante na história da imprensa brasileira.

A diferença parece pequena, mas muda tudo quando a pergunta é onde o jornal foi produzido.

Da Impressão Régia ao jornal que cabe no bolso

Mais de dois séculos depois, a imprensa mudou completamente. O papel deixou de ser o único caminho, as notícias passaram a chegar pela televisão, pelo rádio, pelos sites, pelas redes sociais e até pelas notificações no celular.

Mas a essência continua reconhecível: alguém apura uma informação, organiza os fatos e coloca aquilo diante do público.

Em 10 de setembro de 1808, essa história começava oficialmente no Brasil com quatro páginas, uma prensa e uma publicação que ainda precisava dividir espaço com o poder.

De lá para cá, o jornal ficou menor, depois maior, depois virou tela. A notícia, porém, continuou teimando em chegar.

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