Poeta, crítico e inquieto: Ferreira Gullar faria 96 anos nesta quinta-feira
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Por Redação
Ferreira Gullar faria 96 anos nesta quinta-feira (10). Nascido em São Luís, no Maranhão, em 1930, o poeta, escritor, crítico de arte e teatrólogo construiu uma das trajetórias mais marcantes da literatura brasileira, atravessando a poesia, as artes visuais, o jornalismo e também a política.
Batizado como José de Ribamar Ferreira, Gullar começou a se aproximar da poesia ainda jovem. Aos 19 anos, descobriu a poesia moderna ao entrar em contato com obras de Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. A descoberta mudou seu caminho e ajudou a formar o escritor que, anos depois, se tornaria uma das vozes mais reconhecidas da literatura nacional.
Um poeta que não gostava muito de fórmulas
Em 1954, Gullar publicou A Luta Corporal, obra que chamou atenção justamente por experimentar os limites da linguagem. O livro teve papel importante na trajetória do poeta e o aproximou do movimento da poesia concreta. Mais tarde, ele se tornou um dos nomes ligados ao neoconcretismo, movimento que também reuniu artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica.
Gullar defendia que o poema não deveria simplesmente repetir fórmulas prontas. A própria linguagem, para ele, precisava ser reinventada. E talvez seja justamente aí que esteja uma das marcas de sua obra: a inquietação de quem nunca pareceu muito interessado em deixar a palavra parada no mesmo lugar.
Entre a poesia e a história do Brasil
A trajetória de Gullar também foi atravessada pelos acontecimentos políticos do país. Ele participou da resistência à ditadura militar, foi preso, passou à clandestinidade e acabou exilado. Durante o período em Buenos Aires, escreveu Poema Sujo, uma de suas obras mais importantes e considerada pela Academia Brasileira de Letras sua obra-prima.
O longo poema, escrito em 1976, recuperou lembranças da infância e da juventude em São Luís enquanto misturava memória, política, corpo, cidade e exílio. Publicado no Brasil, causou forte impacto e ajudou a marcar o retorno de Gullar ao país.
Um lugar entre os imortais
Em 2014, Ferreira Gullar foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 37, na sucessão de Ivan Junqueira. A posse ocorreu em dezembro daquele ano.
Gullar morreu em 4 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro, aos 86 anos. Deixou uma obra que passou pela poesia, crítica de arte, teatro, jornalismo e pelas discussões sobre a própria função da literatura.
Nove anos depois de sua morte, a data de nascimento continua funcionando como uma espécie de convite para voltar aos seus livros. Afinal, algumas pessoas envelhecem. Outras deixam palavras que se recusam a fazer isso.