Sérvia dissolve Parlamento e convoca novas eleições parlamentares
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Por Agência Estado
O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, dissolveu nesta quarta-feira, 9, o Parlamento e convocou as eleições parlamentares antecipadas no país para 25 de outubro. A decisão representa um teste para sua permanência no poder após quase dois anos de protestos de rua que abalaram seu governo.
Vucic, que não pode concorrer a um novo mandato presidencial, afirmou que pretende se candidatar a primeiro-ministro.
Ele emitiu um decreto dissolvendo o Parlamento de 250 membros e abrindo caminho para a votação. Ele afirmou que as eleições eram necessárias devido às tensões e divisões em curso no país balcânico.
“Tivemos enormes turbulências”, disse Vucic, em um discurso. “Precisamos de resultados eleitorais que mostrem claramente a vontade do povo e a direção para onde a Sérvia está caminhando.”
A votação ocorrerá em um clima de tensões políticas elevadas, com os populistas no poder buscando se manter no governo apesar do descontentamento popular generalizado.
Os protestos começaram após uma tragédia em uma estação de trem em 1º de novembro de 2024, que matou 16 pessoas no norte da Sérvia. Os manifestantes exigiam responsabilização pelo desabamento da cobertura de concreto na cidade de Novi Sad e o fim da corrupção, que consideram a causa da má qualidade das obras de reforma.
Manifestações quase diárias, que por vezes reuniam centenas de milhares de pessoas, abalaram Vucic mais do que em qualquer outro momento desde que ele chegou ao poder em 2012.
O presidente e seu partido de direita, o Partido Progressista Sérvio, foram acusados de restringir as liberdades democráticas e de ligações com o crime organizado, acusações que ele nega. A candidatura da Sérvia para ingressar na União Europeia está paralisada sob o governo de Vucic, que mantém laços estreitos com a Rússia e a China.
Vucic enfrentou pressão adicional da UE na última semana em razão da homenagem pública ao criminoso de guerra Ratko Mladic, ex-comandante do exército sérvio da Bósnia, que foi enterrado como herói na Sérvia na segunda-feira, 7, apesar de sua condenação por genocídio por um tribunal da ONU.
A lista eleitoral para o Parlamento, apoiada pelos estudantes, deverá incluir professores universitários e especialistas. O movimento ganhou enorme apoio entre os 6,5 milhões de eleitores da Sérvia, muitos dos quais desiludidos com os políticos tradicionais.
Vucic reprimiu duramente os protestos, gerando preocupação internacional sobre a violência policial e detenções arbitrárias. Ele acusou os estudantes e professores que lideravam os protestos de terem a intenção de “destruir o Estado”. Centenas de pessoas foram detidas ou perderam seus empregos por apoiarem os protestos.
Vucic reiterou nesta quarta-feira que “seria errado presumir” que as tensões políticas fossem resultado apenas de divergências internas na Sérvia. Ele afirmou que “tivemos agitação, confrontos e uma sociedade dividida, com considerável interferência de potências estrangeiras”.
Ele não especificou quais potências estrangeiras alegadas, nem apresentou qualquer prova para suas afirmações.
Vucic afirmou que renunciará à presidência nas próximas semanas para poder se juntar à campanha para as eleições parlamentares. Ele não pode se candidatar novamente à presidência após cumprir dois mandatos quase completos. Uma eleição presidencial antecipada será realizada separadamente.
Analistas afirmam que a chamada Lista dos Estudantes representa um sério desafio aos populistas no poder. Dejan Pavlovic, da Faculdade de Ciências Políticas de Belgrado, comparou a situação às eleições deste ano na Hungria, que derrubaram do poder outro líder autoritário, Viktor Orbán.
Pavlovic previu que um cenário poderia se desenrolar, “semelhante ao da Hungria, onde o desafiante, sem o apoio da mídia, sem os recursos, ainda consegue proporcionar uma vitória muito convincente”.
Os populistas gradualmente assumiram o controle das instituições e dos principais meios de comunicação da Sérvia após chegarem ao poder em 2012. Fonte: Associated Press.