Roupa Nova: 'Se temos melodias populares, não é demérito. É mérito'

Publicado em

Esta não é a primeira vez da banda na Cidade do Rock.

Por Agência Estado

Chegar à marca de 46 anos de carreira não é para qualquer banda. Ao longo das décadas, o Roupa Nova provou, em mais de uma ocasião, a relevância e o peso dentro da música nacional. Com uma base de fãs fiel e constante, que se renova no decorrer do tempo, o grupo se apresenta nesta segunda-feira, 7, no Palco Sunset do Rock In Rio com Guilherme Arantes como convidado. O show está marcado para começar às 17h10.

Esta não é a primeira vez da banda na Cidade do Rock. Na realidade, a estreia do Roupa Nova no festival se deu em 1991, em sua segunda edição. Entre os dias 18 e 27 de janeiro daquele ano, bandas das mais diferentes tribos e estilos se apresentaram no evento. Em meio a Prince, Guns N’ Roses e George Michael, os brasileiros marcaram presença no sábado, 22.

Além deles, outras bandas também estiveram presentes na data. New Kids On The Block, Run DMC e Inimigos do Rei subiram ao palco e completaram o lineup daquela que seria a primeira e, até então, única apresentação do Roupa Nova no Rock In Rio.

Em entrevista ao Estadão, Luis Fernando Oliveira da Silva, o Nando do Roupa Nova, relembrou aquela performance, falou sobre a banda e a expectativa para o novo show.

A primeira apresentação do Roupa Nova no Rock In Rio

“Tocar no Rock in Rio é uma honra para qualquer artista. Estamos extremamente emocionados por estarmos voltando”, afirmou Nando, baixista do Roupa Nova, dias antes de a banda subir ao palco do festival.

Ao relembrar a estreia do grupo no evento, o músico destacou o contraste entre as edições. Segundo ele, o primeiro show foi marcado por atritos nos bastidores. “O pessoal técnico do Brasil conhece o Roupa Nova, sabe como nos comportamos e qual é o nosso grau de exigência. Naquela época, a equipe era majoritariamente gringa – e eles não tinham obrigação de nos conhecer. Estavam focados em nomes como Freddie Mercury, James Taylor ou Iron Maiden. Por isso, a relação não foi fácil”, explicou Nando.

Apesar disso, ele garantiu que o show de estreia foi inesquecível. E diz que hoje é tudo diferente. “Está sendo maravilhoso voltar e encontrar no festival uma realidade completamente oposta à da primeira vez.”

A música romântica e os refrões ‘chiclete’

A essência do Roupa Nova extrapola a ideia de canções de amor que embalam gerações. Em meio aos arranjos marcantes e melodias clássicas que não saem da cabeça, Nando explica que existe um processo muito mais direcionado à verdade artística e na entrega de mensagens, que ultrapassam o limite da superfície.

O músico usou uma metáfora para explicar o processo de criação do grupo: “Criamos um chocolate romântico e dentro dele colocamos um recheio de conteúdo. Tentamos colocar coisas e entregar isso numa moldura romântica. Eu não vou tirar o romântico do Roupa Nova, porque ele existe, é um fato”.

No entanto, essa estrutura não indica que o Roupa Nova se limite a um único formato. A versatilidade, experiência e repertório de cada membro da banda refletem no resultado obtido nas composições: “O Roupa Nova sempre teve no seu repertório canções que não são só românticas. Aqui, todos são compositores. Então temos uma diferença de estilo entre cada um de nós”.

Essa visão coletiva e focada na canção também se reflete na forma como Nando aborda o seu próprio instrumento. Às vezes despercebido, o baixo é parte essencial de uma composição, ao criar o groove e um mecanismo que leva as pessoas a sentirem as músicas de forma íntima. Sua ideia, ele diz, nunca foi buscar o destaque individual, mas sim atuar a favor da harmonia e do crescimento da obra como um todo.

O músico falou, ainda, sobre os hits e canções que não saem da cabeça. “Não sentamos e fazemos uma música para virar chiclete. Se temos melodias que se tornam populares, não acho que seja um demérito, mas sim um mérito”, afirma.

O que esperar do show do Roupa Nova no Rock In Rio?

“O Roupa Nova tem uma característica marcante: cada show, para nós, é o mais importante”, explica. “Entramos em cada show, seja para 300 pessoas no show corporativo ou para 15 mil pessoas numa praça pública, ou 20 mil, para dar o nosso melhor”, finaliza Nando.

Roupa Nova no Rock In Rio
Quando: 7 de setembro
Onde: Palco Sunset
Horário: 17h50

X