Antes do grito: 2 de setembro de 1822 marca decisão que antecede a Independência do Brasil

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O famoso “Independência ou Morte”, associado a 7 de setembro de 1822, entrou para a memória nacional como o momento simbólico da ruptura com Portugal.
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Maria Leopoldina Imperatriz Consorte do Brasil | Por Josef Kreutzinger - Sousa, Octávio Tarquínio de. A Vida de D. Pedro I. Volume II. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972., Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=727717

Por Redação

A Independência do Brasil não começou exatamente às margens do riacho do Ipiranga.

O famoso “Independência ou Morte”, associado a 7 de setembro de 1822, entrou para a memória nacional como o momento simbólico da ruptura com Portugal. Mas, seis dias antes, uma importante decisão política já havia sido tomada no Rio de Janeiro.

Em 2 de setembro, a princesa Leopoldina, então regente interina do Brasil durante a ausência de Dom Pedro, presidiu uma reunião do Conselho de Estado que discutiu a situação política do país diante das exigências das Cortes portuguesas.

O encontro ocorreu em um momento de forte tensão entre Brasil e Portugal. As Cortes pressionavam pelo retorno de Dom Pedro e buscavam reduzir a autonomia que o Brasil havia adquirido desde a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro.

Maria Leopoldina entra no centro da decisão

Naquele momento, Dom Pedro estava em viagem pela província de São Paulo. Como regente, Leopoldina assumia a condução do governo na ausência do marido.

A reunião de 2 de setembro foi considerada decisiva no processo político que levou à separação de Portugal. Após as discussões, Leopoldina assinou documentos que seriam encaminhados a Dom Pedro, acompanhados de uma carta de José Bonifácio.

A mensagem defendia uma tomada de posição diante das medidas das Cortes portuguesas.

Não se tratava, portanto, de uma simples formalidade administrativa. O governo no Rio de Janeiro avaliava que a relação com Portugal havia chegado a um ponto crítico e que era necessário reagir.

A participação de Leopoldina também ajuda a desmontar uma visão excessivamente simplificada de que a Independência foi construída apenas por Dom Pedro às margens do Ipiranga.

O grito veio depois

Quando Dom Pedro recebeu as correspondências em São Paulo, a situação política já estava bastante avançada.

Dias depois, em 7 de setembro, ocorreu o episódio que se tornou o principal símbolo da Independência brasileira. O gesto de Dom Pedro às margens do Ipiranga passou a representar a ruptura definitiva com Portugal.

Mas o processo não terminou naquele instante.

A separação política foi consolidada posteriormente, com conflitos, negociações e movimentos militares em diferentes regiões do território brasileiro. A Independência foi reconhecida por Portugal apenas em 1825.

Por isso, lembrar o 2 de setembro é também olhar para a Independência para além da cena do cavalo, da espada e do grito.

Antes de existir um marco histórico, existiu uma sequência de decisões. E, seis dias antes do Ipiranga, uma delas passou pelas mãos de Maria Leopoldina.

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