Copel Agro supera 100 mil atendimentos e amplia suporte à energia no campo no Paraná
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Por Redação CGN
O Copel Agro no Paraná já ultrapassou 100 mil atendimentos desde o início oficial do programa, em 6 de abril. Criado em meio ao aumento da dependência de energia elétrica nas propriedades rurais, o serviço oferece atendimento específico a produtores de setores em que uma interrupção no fornecimento pode afetar imediatamente a atividade.
A realidade vivida pela família de Felipe Skura, em Cafelândia, ajuda a mostrar como a produção rural se transformou. Aos 18 anos, ele já participa do gerenciamento de uma estrutura formada por 18 aviários e seis tanques destinados à criação de tilápias.
A atividade começou com o avô de Felipe, passou pela geração do pai e agora entra em uma nova fase de sucessão familiar. Ele trabalha no campo desde os 14 anos e atualmente divide a rotina de administração da operação.
Entre uma geração e outra, porém, não foi apenas o tamanho da produção que mudou. Equipamentos automatizados, motores, sistemas de ventilação, alimentação e monitoramento transformaram a eletricidade em uma infraestrutura indispensável para que as atividades continuem funcionando.
“Hoje em dia é 100%. Se a gente não tem energia, não trabalha”, resume Felipe ao explicar a dependência elétrica das atividades de avicultura e piscicultura.
A família possui geradores para serem utilizados em emergências. Mesmo assim, interrupções provocadas por temporais, quedas de árvores ou outros problemas na rede exigem acompanhamento constante.
Copel Agro passa de 100 mil atendimentos
Foi diante dessa mudança na realidade do campo que a Copel reorganizou parte da estrutura destinada ao atendimento dos produtores rurais. Criado em 2026, o Copel Agro foi desenvolvido especialmente para cadeias produtivas em que a interrupção do fornecimento de energia pode causar consequências imediatas.
Desde que o programa começou oficialmente, em 6 de abril, mais de 100 mil atendimentos já foram realizados, conforme o gerente executivo do Copel Agro, Marcelo Gonçalves.
A maior parte das solicitações está relacionada a demandas comerciais. O programa, no entanto, também possui uma estrutura diferenciada para lidar com ocorrências relacionadas diretamente ao fornecimento de energia.
Antes da criação do serviço, foram realizadas conversas com cooperativas e entidades ligadas ao setor produtivo. O levantamento mostrou uma situação especialmente sensível entre produtores de leite, suínos, aves e peixes, além de fumicultores.
Marcelo classifica parte dessas atividades como “eletrointensivas”. Em um aviário moderno, por exemplo, os sistemas responsáveis por ventilação, climatização, alimentação e outras funções essenciais não podem permanecer desligados durante períodos prolongados.
O atendimento do Copel Agro procura considerar justamente essas particularidades.
Os produtores são identificados a partir da classificação da unidade consumidora e encaminhados ao atendimento específico. As ligações são recebidas por atendentes humanos treinados para compreender demandas do setor rural e que trabalham próximos ao Centro de Operação da companhia.
Um dos principais diferenciais adotados é o atendimento humano. Segundo Marcelo, quando acessa o canal específico do Copel Agro, o produtor não é simplesmente encaminhado para um robô.
A proposta é que o atendimento seja feito por uma pessoa capaz de compreender as características da produção rural e, quando necessário, obter informações diretamente com a operação da companhia.
Para Felipe Skura, essa diferença aparece principalmente nos momentos em que surge algum problema que exige uma análise além de uma resposta padronizada.
“Quando a gente está conversando com um ser humano, principalmente um eletricista que já trabalha nessa área do agro, a gente percebe que ele sabe o que a gente precisa”, afirma.
Felipe relata que algumas ocorrências chegaram a ser solucionadas durante o próprio contato telefônico. Segundo ele, situações que anteriormente poderiam passar por diferentes etapas de atendimento começaram a receber respostas mais diretas quando o profissional consegue compreender o que está acontecendo na propriedade.
“Muitas vezes, a gente já resolveu problemas pelo telefone, muito por estar conversando com um ser humano”, conta.
Outro diferencial é o retorno dado ao produtor durante uma ocorrência.
O atendente pode consultar a operação, verificar o que está acontecendo na rede e repassar uma previsão ao cliente. Caso a situação seja alterada posteriormente, um novo contato pode ser realizado.
Esse tipo de informação influencia diretamente as decisões dentro da propriedade. Saber se o fornecimento será restabelecido rapidamente ou se a interrupção deverá durar algumas horas permite avaliar, por exemplo, se será necessário manter o gerador ligado por mais tempo ou providenciar combustível adicional.
Atendimento registra 95% de aprovação, diz Copel

Segundo a Copel, o atendimento específico do programa registra atualmente índice de 95% de aprovação.
O resultado é obtido a partir de uma pesquisa opcional apresentada aos clientes ao final das ligações.
Os participantes podem dar notas de 1 a 5 para o serviço. As avaliações 4 e 5 são consideradas satisfatórias.
Conforme Marcelo Gonçalves, 95% das pessoas que participam da pesquisa avaliam o atendimento dentro dessas duas faixas. A adesão à avaliação supera 33% dos atendimentos realizados.
Felipe afirma que a principal mudança percebida pela família foi justamente a especialização no contato com a companhia.
Segundo ele, o atendimento já existia antes do programa, mas algumas situações demoravam mais para serem resolvidas e nem sempre o profissional responsável pelo contato conhecia as particularidades do trabalho no campo.
“Hoje, com o Copel Agro, a gente percebe muito mais um atendimento principalmente personalizado para o produtor. O pessoal que trabalha na área sabe do que a gente precisa”, relata.
A família utiliza o serviço com frequência.
Felipe conta que, em uma ocorrência recente, duas propriedades localizadas em Nova Aurora ficaram sem energia. Um funcionário encontrou um galho próximo de um poste e informou a situação durante o atendimento.
Segundo Felipe, o problema foi solucionado em menos de uma hora e meia.
Rede trifásica recebeu R$ 3 bilhões em investimentos
O atendimento específico ao produtor é apenas uma parte das mudanças relacionadas ao aumento da dependência energética do campo.
A modernização das propriedades também exige uma rede elétrica preparada para suportar equipamentos de maior potência e uma produção progressivamente automatizada.
Nos últimos anos, foram investidos R$ 3 bilhões na implantação de 25 mil quilômetros de redes trifásicas.
Segundo o gerente executivo de Projetos da Copel, Rafael Radaskievicz, a expansão priorizou regiões com forte vocação para o agronegócio. O Oeste do Paraná esteve entre os principais territórios contemplados pelo projeto.
A diferença entre os sistemas não se limita à quantidade de energia disponível.
A rede trifásica amplia as possibilidades de utilização de equipamentos mais potentes e eficientes e proporciona uma estrutura mais robusta diante das condições climáticas enfrentadas principalmente nas áreas rurais.
“Sem dúvidas, a modernidade do agronegócio requer tanto um perfil eletrointensivo como também eletrodependente da energia elétrica”, afirma Rafael.
Apesar da expansão, a existência de uma rede trifásica nas proximidades não significa que uma propriedade rural esteja automaticamente conectada ao sistema.
O produtor interessado precisa solicitar um aumento de carga.
A partir do pedido, a Copel verifica as condições técnicas e a distância existente até a rede, desenvolve um projeto e apresenta um orçamento com os custos da obra e as parcelas que cabem à distribuidora e ao consumidor.
A conversão também pode exigir modificações dentro da propriedade.
Entre as possíveis adequações estão mudanças no padrão de entrada de energia, nos quadros elétricos, na fiação e nos motores utilizados na atividade.
Na estrutura da família Skura, praticamente todas as unidades já utilizam o sistema trifásico.
Na data em que a entrevista foi realizada, a última propriedade da família ainda abastecida por uma rede monofásica, localizada em Nova Aurora, estava passando justamente pela conversão para o trifásico.
Felipe aponta a redução dos problemas relacionados aos motores como uma das principais mudanças percebidas após a modernização.
Um único aviário pode ter mais de dez motores. Segundo ele, com a estrutura trifásica, diminuíram tanto os casos de queima de equipamentos quanto os gastos com manutenção elétrica.
Se Liga Aí Paraná oferece crédito para conexão
Apesar dos benefícios, os custos necessários para levar a rede trifásica até a propriedade e realizar as adequações internas podem se tornar uma barreira para alguns produtores.
É neste ponto que entra o Se Liga Aí, Paraná, iniciativa que utiliza mecanismos do crédito rural para incentivar a migração das propriedades para o sistema trifásico.
De acordo com Herlon Almeida, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o programa pode ser acessado por produtores rurais pessoas físicas ou jurídicas, independentemente do tamanho da propriedade.
Há, no entanto, prioridade para cadeias ligadas à produção de proteína animal, agroindústrias e fumicultura, devido à maior demanda energética apresentada por essas atividades.
O mecanismo prevê que o programa assuma cinco pontos percentuais da taxa de juros contratada quando o investimento é realizado por meio de financiamento do crédito rural.
Também existe desconto no orçamento da obra.
A subvenção dos juros depende da contratação de um financiamento. O desconto aplicado ao orçamento, por outro lado, também pode alcançar produtores que realizem o investimento utilizando recursos próprios.
O financiamento pode abranger tanto a extensão externa necessária para levar a rede trifásica até a entrada da propriedade quanto as adaptações internas.
Entre os investimentos que podem ser financiados estão fiação, quadros de comando e substituição de motores.
As condições do crédito variam de acordo com o enquadramento de cada produtor rural.
Agricultores familiares podem utilizar linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os médios produtores podem utilizar o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), enquanto os demais têm acesso às linhas destinadas à agricultura empresarial.
Para participar do programa, o produtor precisa inicialmente obter um orçamento referente à parte externa da obra junto à Copel ou a uma empresa homologada.
Também deve levantar os custos necessários para as adaptações dentro da propriedade.
Com essas informações, o próximo passo é procurar uma instituição financeira que trabalhe com crédito rural para definir em qual modalidade o produtor se enquadra.
Depois disso, o interessado deve procurar uma unidade do IDR-Paraná para encaminhar a adesão ao programa e solicitar o benefício da subvenção.
A meta estabelecida para a iniciativa é alcançar 2,5 mil produtores até junho de 2027.
Segundo Herlon Almeida, 110 produtores foram alcançados já no primeiro mês de funcionamento.
Tecnologia também influencia sucessão no campo
Na propriedade da família Skura, a modernização da infraestrutura elétrica está associada a outra transformação que ocorre no meio rural: a chegada de uma nova geração à gestão dos negócios familiares.
Felipe lembra que, quando começou a trabalhar mais diretamente na propriedade, três unidades ainda eram atendidas por redes monofásicas.
Problemas envolvendo motores, contatores, disjuntores e outras instalações exigiam manutenção frequente e consumiam tempo da rotina.
“Me desanimava, porque era um trabalho absurdo e ia continuar rodando igual”, lembra.
Atualmente, Felipe relaciona a melhoria da infraestrutura elétrica à diminuição dos custos e, principalmente, à redução do tempo necessário para manutenção.
O próximo objetivo é ampliar ainda mais a utilização de tecnologia dentro das propriedades.
Entre os equipamentos que Felipe pretende incorporar à operação estão filtros de água mais modernos, balanças digitais e sistemas de monitoramento das aves.
Essas tecnologias exigem não apenas disponibilidade de eletricidade, mas também estabilidade suficiente para permitir o funcionamento adequado de equipamentos eletrônicos mais sensíveis.
A experiência da família ajuda a mostrar como a discussão sobre energia no campo ganhou uma dimensão diferente.
Em propriedades cada vez mais automatizadas, a disponibilidade de energia, a infraestrutura elétrica e a capacidade de resposta diante de uma interrupção passaram a ter impacto direto sobre os custos, a produtividade e até sobre as condições necessárias para que uma nova geração enxergue perspectivas de permanecer na atividade rural.