Quatro meses após tragédia que matou a filha, Fabiane Brotto passa por nova cirurgia pela vida
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Por Luiz Haab
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Quatro meses depois de um dos acidentes mais dolorosos registrados na BR-277, no Oeste do Paraná, Fabiane Grando Brotto, de 41 anos, continua enfrentando uma longa e delicada batalha pela recuperação. A mãe sobreviveu à colisão que matou sua filha, Bianca Grando Brotto, de apenas 7 anos, mas permanece internada em um hospital particular de Cascavel e ainda precisa de cuidados intensivos.
Há poucos dias Fabiane passou por um novo procedimento cirúrgico para a correção de uma fístula que vinha limitando o processo de reabilitação. Segundo informações divulgadas por pessoas próximas à família, a cirurgia já era aguardada pela equipe médica e pelos familiares e só pôde ser realizada depois que Fabiane atingiu uma condição clínica considerada suficientemente estável.
O procedimento foi considerado bem-sucedido. Após deixar o centro cirúrgico, Fabiane permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por precaução. A expectativa da família é que a cirurgia represente um novo passo no processo de neuroreabilitação, permitindo o avanço dos cuidados e da recuperação.
A atualização também veio acompanhada de um agradecimento à equipe médica e à direção do Hospital São Lucas, em Cascavel, pelo atendimento prestado durante todo o período de internação. A família pediu ainda que as pessoas continuem mantendo Fabiane em pensamentos e orações.
Entenda o caso
A história de Fabiane começou a mudar na manhã de 21 de abril de 2026. Naquele dia, ela dirigia um Hyundai Creta e tentava acessar o município de Céu Azul, pela BR-277, quando o veículo foi atingido violentamente por uma carreta. A força da colisão arrastou o carro por aproximadamente 86 metros e deixou o Creta completamente destruído.
No veículo estava Bianca, filha de Fabiane, que não resistiu aos ferimentos e morreu aos 7 anos. A criança era aluna do Colégio La Salle de Toledo e sua morte provocou uma onda de comoção entre familiares, amigos, colegas e moradores de diferentes cidades do Oeste do Paraná.
Fabiane ficou presa às ferragens e sofreu um traumatismo cranioencefálico grave. O resgate mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Consamu e da concessionária EPR Iguaçu. Em estado crítico, ela foi encaminhada de helicóptero ao Hospital Universitário de Cascavel, onde precisou passar por cirurgia para reduzir a pressão intracraniana e permaneceu em coma induzido.
Foram semanas de incerteza para a família. Em 13 de maio, 22 dias após o acidente, Fabiane deixou pela primeira vez a UTI e foi transferida para um quarto hospitalar. A recuperação, porém, continuou sendo marcada por cuidados intensivos e novas intercorrências, incluindo outros períodos de permanência na Unidade de Terapia Intensiva.
Ao longo dos meses, cada evolução passou a ser acompanhada de perto por familiares e amigos. Correntes de oração e mensagens de apoio se multiplicaram nas redes sociais, enquanto a família compartilhava as principais atualizações sobre o estado de saúde da sobrevivente.
A tragédia também deixou marcas profundas na comunidade. O velório de Bianca foi realizado na Paróquia São Cristóvão, em Toledo, e a missa de sétimo dia, celebrada em 30 de abril, reuniu familiares, amigos e pessoas que se solidarizaram com a família.
O acidente provocou ainda consequências no trânsito da região. A colisão levou à interdição dos dois sentidos da BR-277, provocando filas superiores a seis quilômetros. O fluxo precisou ser desviado para as marginais até que os veículos fossem retirados e os trabalhos de perícia fossem concluídos.
As circunstâncias que provocaram a colisão permanecem sob investigação. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) trabalha na apuração das causas do acidente, e o laudo pericial é aguardado para esclarecer a dinâmica da batida.
O caso também reacendeu cobranças de moradores por mudanças na segurança do trecho urbano da BR-277. Relatos de excesso de velocidade e de situações de risco levaram à reivindicação de medidas como melhorias na sinalização, instalação de lombadas e travessias elevadas.
Quatro meses depois da tragédia, a história da família segue marcada pela ausência de Bianca e pela luta diária de Fabiane. Agora, a cirurgia realizada nesta sexta-feira representa mais uma etapa de uma recuperação que vem sendo acompanhada de perto desde aquela manhã de abril.
A família afirma que o procedimento foi bem-sucedido e mantém a esperança de que Fabiane possa avançar na neuroreabilitação. Por enquanto, ela continua na UTI, sob cuidados médicos e observação, enquanto familiares e amigos renovam o pedido por orações e mensagens de apoio.