Soberania para quem? O discurso de Lula protege o poder, não o povo
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Por Redação CGN
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Lula recuperou a palavra “soberania” como se fosse a bandeira do momento. Fala em soberania nacional, em não se curvar a pressões externas, em defender o Brasil. Mas cabe perguntar: soberania para quem, exatamente?
Não é para o brasileiro que não consegue fechar o mês. Não é para quem depende de auxílio para comer. Não é para quem vê o poder de compra encolher ano após ano, governo após governo. Soberania, do jeito que Lula usa a palavra, é sobrevivência política — a garantia de que quem está no poder continua no poder, com acesso aos recursos, aos cargos, aos privilégios que vêm junto. Soberania não alimenta ninguém. Quem defende o próprio cargo não defende o povo, defende a si mesmo.
O povo não pede soberania abstrata. Pede prosperidade concreta. Pede que o salário renda, que o emprego apareça, que o filho tenha um futuro melhor que o seu. E isso, depois de três mandatos de Lula e cinco do PT no comando do país, continua sendo promessa não cumprida. Cada dia que passa, mais gente entra na fila do auxílio. Que prosperidade é essa?
Se essa fosse uma relação de consumo, seria motivo de processo. Uma empresa que vende um produto e não entrega o que prometeu responde na Justiça. Um político que promete prosperidade, reduz desigualdade, tira o país do buraco — e entrega o oposto, mandato após mandato — não responde a nada. Não deveria ser assim. Enganar o eleitor deveria ter consequência, do mesmo jeito que enganar o consumidor tem.
Há quem defenda esse histórico mesmo assim, e a defesa costuma vir travestida de solidariedade: dizem que é o único que olha pelo pobre, o único que entende quem sofre. Mas boa parte desse discurso não nasce de esperança em um futuro melhor — nasce do conforto de ver todo mundo na mesma régua baixa. É mais fácil aceitar que ninguém vai prosperar do que admitir que o próprio voto ajudou a manter o país estagnado. É esse tipo de defesa que sustenta a permanência no poder mesmo diante do fracasso repetido — não porque o resultado seja bom, mas porque cobrar resultado exigiria admitir o erro.
Bolsonaro não é a alternativa fácil — ele também errou, e muito, nos anos em que teve a caneta na mão. Mas isso é debate para outro editorial. O que fica registrado aqui é que o eleitor, pela primeira vez em anos, tem opções fora do eixo Lula-Bolsonaro que merecem ser ouvidas. Renan Santos chega com o discurso mais estruturado em torno de soluções concretas. Zema e Caiado têm nome e histórico de gestão, ainda que precisem transformar isso em propostas mais claras e diretas para o país.
O que não cabe mais é a desculpa de que “não tem opção”. Tem. A pergunta que resta é se o eleitor vai continuar aceitando ser governado por quem já provou, com anos de mandato, que não entrega o que promete.
No fim, a palavra “soberania” só faz sentido nesse discurso quando traduzida corretamente: soberania de Lula sobre o poder, não do Brasil sobre seu próprio destino. Um país não se torna soberano porque um homem se mantém na cadeira presidencial pela quarta vez. Torna-se soberano quando seu povo deixa de precisar de auxílio para sobreviver, quando o salário compra o que comprava antes, quando o governo presta contas em vez de cobrar lealdade. Enquanto isso não acontecer, a soberania que se defende no discurso é a soberania de um só homem sobre um cargo — não a de um povo sobre o próprio futuro.