Cascavel treina agentes para iniciar implantação de mosquitos com Wolbachia contra a dengue

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Cerca de 50 profissionais participaram da capacitação; instalação de aproximadamente 6 mil dispositivos deve começar na segunda quinzena de setembro e alcançar 18 bairros.
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Foto: Secom

Por Silmara Santos

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Cerca de 50 agentes de Endemias participaram, nesta quarta-feira (19), de um treinamento para atuar na implantação do Método Wolbachia em Cascavel. A estratégia utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão de dengue, Zika e chikungunya.

A capacitação prepara os profissionais para o manuseio e a instalação dos Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), que serão distribuídos em diferentes pontos da cidade.

Segundo a gerente da Vigilância em Saúde Ambiental, Clair Wagner, a previsão é que a instalação comece na segunda quinzena de setembro.

“Estamos realizando a capacitação dos agentes de Endemias que atuarão no Método Wolbachia, implementado em nosso município. Iniciamos as tratativas com a Fiocruz e com a Wolbito no final de 2025, e estamos agora na etapa de treinamento”, explicou.

Ao todo, aproximadamente 6 mil dispositivos serão distribuídos por Cascavel. Os DLOs receberão cápsulas com ovos de Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Quando entram em contato com a água, os ovos iniciam o desenvolvimento dos mosquitos.

Como funciona

A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em diversos insetos. No Aedes aegypti, ela dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya no organismo do mosquito.

Com isso, os mosquitos que carregam a bactéria apresentam capacidade reduzida de transmitir essas doenças.

A proposta é que os mosquitos com Wolbachia se reproduzam e transmitam a bactéria para as próximas gerações. Com o tempo, a expectativa é que eles substituam progressivamente os mosquitos que circulam naturalmente na região.

O método não utiliza produtos químicos e os mosquitos não são geneticamente modificados.

Dispositivos serão monitorados semanalmente

Os DLOs serão acompanhados pelas equipes da Vigilância em Saúde Ambiental. A previsão é de que os dispositivos sejam monitorados semanalmente pelos agentes e instalados, prioritariamente, em árvores localizadas em vias públicas.

A orientação é para que os moradores não retirem os dispositivos dos locais onde forem instalados.

Caso algum equipamento seja encontrado caído ou danificado, a população deve comunicar a Vigilância em Saúde Ambiental pelo telefone (45) 3902-1343, para que uma equipe faça o recolhimento.

Em locais com pouca arborização ou em situações específicas, os dispositivos poderão ser instalados dentro de imóveis. Nesses casos, os agentes somente terão acesso aos quintais com autorização dos moradores.

“Para segurança de todos, nossas equipes estarão devidamente uniformizadas, identificadas com crachás e utilizando veículos da frota municipal”, explicou Clair Wagner.

Os agentes que participam do treinamento ficarão responsáveis pela implantação e acompanhamento do método. Os demais profissionais de Endemias continuarão normalmente com as atividades de rotina.

Projeto vai alcançar mais de 215 mil pessoas

Em Cascavel, o projeto contempla 18 bairros, com população estimada em 215.318 pessoas.

O Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia já é utilizada em diferentes cidades brasileiras e também em outros países.

A expectativa é que, com a implantação gradual dos mosquitos com Wolbachia, a presença da bactéria aumente na população local de Aedes aegypti, contribuindo para reduzir a capacidade de transmissão dos vírus que provocam dengue, Zika e chikungunya.

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