“Essas luvas teriam sido desviadas ali do hospital universitário”, afirma delegado

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Por Silmara Santos

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Uma carga de luvas cirúrgicas que teria sido desviada do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, foi localizada e apreendida pela Polícia Civil na tarde desta quarta-feira (19). Segundo o delegado Julio Bianchi, cerca de 100 caixas foram encontradas em dois locais ligados a um homem investigado no caso. O valor estimado do material apreendido é de aproximadamente R$ 30 mil.

A investigação teve início após o Grupo de Diligências Especiais (GDE) receber uma denúncia anônima apontando que materiais do hospital estariam sendo retirados irregularmente. A equipe foi até a residência de um dos suspeitos e encontrou diversas caixas de luvas.

De acordo com o delegado, as embalagens tinham números de identificação, mas o nome da empresa remetente havia sido retirado manualmente, o que levantou suspeitas sobre a origem dos produtos.

“Hoje nós conseguimos confirmar a primeira apreensão como material que teria sido oriundo do HU. Nós recebemos uma denúncia anônima (…) e, no estacionamento dele, já foram encontradas diversas caixas empilhadas”, explicou Julio Bianchi.

Os policiais entraram em contato com a direção do HUOP para confrontar os números de identificação encontrados nas caixas. Segundo Bianchi, a instituição confirmou que o material correspondia a produtos pertencentes ao hospital.

“Fazendo o confronto desse número de série, conseguimos chegar ali e isso seria esse material, essas luvas teriam sido desviadas ali do hospital universitário”, afirmou o delegado.

Homem foi preso por receptação

O primeiro suspeito localizado não seria funcionário do HUOP. Conforme a Polícia Civil, ele teria recebido as luvas e foi encaminhado à delegacia por suspeita de receptação.

Questionado pelos policiais, o homem teria alegado que recebeu os produtos como parte de uma troca. A versão, no entanto, não foi considerada coerente pela investigação.

“Ele teria relatado que teria recebido à base de troca, porém não tem cabimento, até porque o hospital universitário não iria entregar alguma mercadoria para trocar ali. Não tem autorização para ser retirada a mercadoria”, disse Bianchi.

O homem não possuía antecedentes criminais, segundo o delegado, e foi encaminhado ao Poder Judiciário após o flagrante.

Mais luvas são encontradas em empresa

Após a primeira apreensão, os investigadores receberam informações de que poderia haver mais produtos no interior de uma empresa da qual o suspeito é sócio.

A equipe foi até o segundo endereço e encontrou uma nova quantidade de caixas de luvas cirúrgicas. Conforme o delegado, as embalagens apresentavam características semelhantes às encontradas na residência: possuíam números de identificação, mas estavam sem o nome da empresa, que teria sido retirado manualmente.

Todo o material foi encaminhado à Polícia Civil para apreensão e contabilização.

Polícia investiga possível participação de funcionários

A investigação ainda está em fase inicial e busca esclarecer como os produtos deixaram o hospital e quem participou do possível desvio.

Segundo Julio Bianchi, não está descartada a possibilidade de participação de funcionários públicos.

“Não podemos descartar. Como a investigação está em uma fase bem inicial, nós trabalhamos com todas as possibilidades, podendo ter servidores envolvidos ou não”, declarou.

Caso seja comprovado que um servidor público tenha participado do desvio de materiais no exercício da função, poderá haver enquadramento por peculato, conforme explicou o delegado.

A Polícia Civil pretende ouvir funcionários do hospital, solicitar imagens de câmeras de segurança e realizar novas diligências para identificar todos os envolvidos.

“Nós seguimos com a investigação para responsabilizar”, finalizou o delegado Julio Bianchi.

Resumo do que aconteceu

O que motivou a investigação sobre o possível desvio de luvas cirúrgicas no Hospital Universitário do Oeste do Paraná?
R: A investigação foi motivada após o Grupo de Diligências Especiais (GDE) da Polícia Civil receber uma denúncia anônima indicando que materiais do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, estariam sendo retirados irregularmente.
Como e quando as luvas cirúrgicas suspeitas foram localizadas?
R: Na tarde do dia 19 de agosto de 2026, a Polícia Civil localizou e apreendeu cerca de 100 caixas de luvas cirúrgicas em dois locais de Cascavel: a residência de um suspeito e o galpão de uma empresa da qual ele é sócio.
Qual era o valor estimado do material apreendido pela Polícia Civil?
R: O valor estimado das luvas cirúrgicas apreendidas é de aproximadamente R$ 30 mil.
Como foi confirmada a origem das luvas apreendidas?
R: A origem das luvas foi confirmada após a Polícia Civil confrontar os números de identificação das embalagens com informações fornecidas pela administração do HUOP, que reconheceu que o material pertencia ao hospital.
Qual foi o papel do Hospital Universitário do Oeste do Paraná nas investigações?
R: O HUOP colaborou ativamente com a Polícia Civil, fornecendo informações detalhadas e números de série das luvas, o que foi crucial para identificar a mercadoria apreendida e avançar nas investigações.
Quem foi detido durante as diligências e qual a suspeita contra ele?
R: Um homem, que não é funcionário do HUOP, foi detido por suspeita de receptação. Ele teria recebido as luvas e alegou que o material foi obtido por meio de uma troca, versão considerada incoerente pela polícia.
O que se sabe sobre o envolvimento de funcionários do hospital no caso?
R: Até o momento, a investigação não descarta a possibilidade de participação de funcionários públicos no desvio das luvas. A Polícia Civil está ouvindo funcionários e analisando imagens de câmeras de segurança para apurar responsabilidades.
Quais diligências e procedimentos a Polícia Civil está adotando para esclarecer o caso?
R: A Polícia Civil está ouvindo funcionários do hospital, solicitando imagens de câmeras de segurança, realizando novas diligências e buscando identificar todos os envolvidos no possível desvio das luvas.
Quais crimes podem ser imputados aos envolvidos, caso a participação de servidores públicos seja comprovada?
R: Se for comprovada a participação de servidores públicos no desvio das luvas durante o exercício da função, eles poderão ser enquadrados pelo crime de peculato.
O que diz o HUOP sobre o compromisso com a investigação e a administração pública?
R: O HUOP afirmou, em nota, que continuará colaborando com as autoridades para esclarecer completamente os fatos e resguardar a integridade da administração pública, comprometendo-se com a transparência nas investigações.
Por que o caso do desvio de luvas cirúrgicas é considerado relevante?
R: O caso é relevante por envolver o possível desvio de insumos essenciais de um hospital público, o que pode afetar o atendimento à saúde e representa um potencial prejuízo ao patrimônio público.
Qual é o status atual das investigações sobre o desvio das luvas cirúrgicas?
R: Até o momento, a investigação está em fase inicial, com material apreendido, um suspeito detido por receptação e diligências em andamento para identificar todos os envolvidos e esclarecer como as luvas foram desviadas do HUOP.
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