O que explica a Turquia ter virado 'bicho-papão' no mercado da bola com contratação de estrelas

Publicado em

A principal contratação foi a de Mohamed Salah, que chegou ao Trabzonspor após deixar o Liverpool em fim de contrato.

Por Agência Estado

O Galatasaray teria feito uma proposta de 45 milhões de euros (R$ 269 milhões) pelo atacante Gabriel Martinelli, do Arsenal. Outros astros do futebol europeu migraram para a Turquia nesta janela de transferências.

A principal contratação foi a de Mohamed Salah, que chegou ao Trabzonspor após deixar o Liverpool em fim de contrato. O país oferece aos jogadores vantagens financeiras que vão além de cifras altas.

Os atletas costumam negociar salários já líquidos, sem precisar ter que pagar impostos sobre os ganhos posteriormente. Não que haja isenção, mas os clubes cobrem esse custo. Salah, por exemplo, terá vencimento líquido de 17 milhões de euros por temporada (cerca de R$ 100 milhões).

Para ter Salah, o Trabzonspor passou por cima do interesse de equipes sauditas para fechar com o egípcio. O belga Romelu Lukaku deixou o Napoli rumo ao Fenerbahçe. Foi o mesmo destino de Ngolo Kanté, que chegou ao clube após passagem pelo Al-Ittihad, da Arábia Saudita.

O movimento do futebol turco representa algo mais contínuo do que o da Arábia Saudita. Inflados pelo Fundo de Investimento Público (PIF), clubes sauditas contrataram astros como Cristiano Ronaldo, Neymar e Benzema, virando atrativo para outros jogadores de equipes da Europa.

Jogadores menos badalados, como Riyad Mahrez, Georginio Wijnaldum e Marcelo Brozovic, não renovaram contratos e deixaram o país. Já a Turquia contratou novos nomes e manteve antigos, a exemplo de Leroy Sané e Victor Osimhen, ambos do Galatasaray.

Em outros momentos, o futebol turco já era destino atrativo para atletas do futebol europeu em baixa nas grandes ligas. Basta observar o mercado dos três principais clubes nas duas últimas décadas.

O Fenerbahçe foi destino de Dirk Kuyt (em 2012) e Robin van Persie (em 2015). Eles tinham 32 anos quando se transferiram, deixando, respectivamente, Liverpool e Manchester United.

O Galatasaray recebeu, em 2013, Wesley Sneijder (na época, com 29 anos), vindo da Inter de Milão. Foi o mesmo destino de Mauro Icardi, que chegou à Turquia aos 30 anos, após sair do PSG.

O Besiktas contratou Pepe, ex-Real Madrid, aos 34 anos, e Ricardo Quaresma, ex-Porto, aos 32. Agora, contratou o atacante sérvio Dusan Vlahovic, que receberá 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 45 milhões na cotação atual) por temporada.

Além dele, Salah e Lukaku, chegaram Mason Greenwood e Nathan Aké (Fenerbahçe) e Leandro Trossard (Besiktas). Esse último deixou o Arsenal meses após conquistar a Premier League.

Os salários altos e as compensações fiscais não significam uma saúde financeira elogiável dos clubes turcos. As quatro principais equipes (Galatasaray, Fenerbahçe, Besiktas e Trabzonspor) somam uma dívida que ultrapassa 1 bilhão de euros (cerca de R$ 6 bilhões). Eles precisam contar com fluxo de caixa para cobrir os altos salários.

Recentemente, o Galatasaray vendeu o terreno do seu centro de treinamento à Prefeitura de Istambul. Segundo o jornal britânico The Telegraph, isso rendeu 400 milhões de euros (R$2,4 bilhões).

Já o Fenerbahçe tem apoio de investidores. O ex-presidente Ali Koc é de uma das famílias mais ricas da Turquia. O clube ainda se destaca pela descoberta e venda de jogadores promissores. Um exemplo é Arda Guler, negociado com o Real Madrid por 28 milhões de euros.

Conforme o The Telegraph, o salário de Salah deve ser financiado com patrocínios. O Trabzonspor tem como parceiros comerciais a Turkish Airlines e a fabricante de carros elétricos Togg. A companhia aérea anunciou um voo direto entre Cairo e Trabzon após a contratação, em alusão à chegada do jogador.

Além de astros, a Turquia ainda vai sediar a Supercopa da Espanha de 2027. O torneio será de 2 a 7 de fevereiro e contará com Barcelona, Real Madrid, Atlético de Madrid e Real Sociedad.

A Arábia Saudita era sede do torneio desde 2020, mas terá conflito de datas por causa da Copa da Ásia. A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) prevê o retorno ao país saudita em 2028.

X