Alckmin defende que municípios assumam um papel mais ativo na segurança pública

Publicado em

Alckmin argumentou que a administração municipal está no território e, por isso, tem melhores condições de identificar focos de desordem e de vulnerabilidade social.

Por Agência Estado

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, defendeu nesta segunda-feira, 17, na 27ª Conferência Anual Santander, que os municípios assumam um papel mais ativo na segurança pública e afirmou que, no mundo todo, a área é majoritariamente municipalizada. Para ele, a prevenção e a redução da violência exigem integração com políticas locais de saúde, educação, esporte e cultura, além de atuação coordenada contra o crime organizado e nas fronteiras.

Alckmin argumentou que a administração municipal está no território e, por isso, tem melhores condições de identificar focos de desordem e de vulnerabilidade social.
“O município tem que ajudar na saúde, o município tem que ajudar na educação. Ele tem que entrar nas questões da segurança”, disse.

O vice-presidente citou como referência a experiência de “tolerância zero” em Nova York, afirmando que o controle inicial depende de presença no bairro e que, na sequência, a ocupação do espaço público deve ser sustentada por ações sociais e oportunidades para jovens, como qualificação profissional e acesso a trabalho.

Ao tratar do quadro brasileiro, Alckmin destacou a evolução dos indicadores de violência em São Paulo ao longo das últimas décadas, mencionando que, em 2008, o Estado registrava cerca de 2.800 mortes, com taxa próxima de 35 homicídios por 100 mil habitantes e quase 13 mil homicídios dolosos no período citado.

Para ele, os resultados apontam que é possível reduzir a criminalidade com estratégia e continuidade, embora tenha ressaltado que o esforço precisa avançar “muito”.

O vice-presidente também apontou a questão das drogas como vetor central da insegurança, com impacto desproporcional sobre jovens do sexo masculino e de baixa escolaridade, sobretudo em regiões mais pobres. Ele relatou ter ouvido de um padre de sua paróquia a mudança do padrão de consumo, com avanço do crack, e defendeu políticas de acolhimento e recuperação, citando modelos de atendimento 24 horas e posterior encaminhamento a comunidades terapêuticas com estudo e capacitação para reinserção no mercado de trabalho.

Na avaliação de Alckmin, o enfrentamento ao crime precisa ir além do policiamento ostensivo e alcançar a origem organizada das facções, sobretudo pela via financeira. Ele defendeu maior articulação entre entes federativos e órgãos federais, incluindo Polícia Federal e Receita Federal, e mencionou operações em cadeias específicas, como a de combustíveis, com foco em fraudes de preço, fiscais e de qualidade.

Para o vice-presidente, o País também precisa fortalecer o controle de fronteiras, reconhecendo a dificuldade imposta pela extensão territorial, e considerou a criação de uma estrutura nacional dedicada à segurança como parte do esforço de coordenação.

X