“Cada entrega pode ser a última”, alerta amigo de Jean após morte de motociclista
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Por Allan Machado
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A morte do entregador Jean Carlos Farias de Quadros, de 34 anos, provocou uma mobilização de familiares, amigos e motociclistas neste sábado (15), em Cascavel. Cerca de 50 motociclistas participaram de uma manifestação em homenagem à vítima, que morreu na tarde de sexta-feira (14), após um grave acidente na marginal da PR-467.
Amigo de Jean, o motoboy Lucas aproveitou a mobilização para chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas diariamente pelos profissionais que trabalham sobre duas rodas. Segundo ele, o trânsito está cada vez mais perigoso e existe uma falta de respeito com os motociclistas.
“Não adianta nada os infratores de trânsito quererem socar mil multas em nós, cobrar curso, cobrar um monte de coisa de nós, cobrar colete, cobrar um monte de coisa em moto, sendo que o trânsito não muda. O pessoal não usa seta. Se você é fechado num trânsito hoje de motoboy, você é xingado por outros motoristas”, afirmou.
Lucas também defendeu uma maior valorização da categoria, destacando a importância do trabalho dos entregadores para a sociedade. “Se a gente cobra R$ 5, vamos supor R$ 10 a mais no atalho de entrega, cliente acha caro, cliente não tem valor nenhum pelo nosso trabalho. Só que é o seguinte: se a gente decidir parar hoje, o que vai movimentar as entregas? O que vai movimentar um senhor de idade que está em casa e depende do remédio, um mecânico que depende daquela peça para consertar o carro, ou até mesmo nós que estamos em casa e não queremos sair para pedir aquele alimento? Eu acho que a gente devia ser mais valorizado.”
O amigo ainda falou sobre a insegurança enfrentada pelos motociclistas e a falta de garantias para quem depende das entregas para sobreviver. “A gente não tem carteira assinada. Se a gente bater a moto amanhã ou depois, até conseguir um auxílio do governo é uma enrolação. É sair, pedir lá o grande ouro de cima, que é Deus, pedir para guiar e voltar com vida dentro de casa”, disse.
Para Lucas, cada entrega pode representar um risco para o trabalhador. “A gente não sabe. Às vezes aquela entrega que a gente vai fazer pode ser a última entrega da noite, a última entrega do dia. A gente pode perder uma vida num acidente e não voltar para nossas famílias. Nossas famílias vão ficar preocupadas.”
A mobilização deste sábado teve como objetivo prestar uma última homenagem a Jean e também pedir justiça. “Nosso objetivo hoje é fazer uma motossiata em homenagem ao nosso amigo Jean, que infelizmente partiu. Hoje ele está fazendo o rolê dele ao lado de Deus. Ele trocou o par de rodas pelo par de asas. É muito triste. Infelizmente, é um de nossos irmãos que se foi”, lamentou.
O corpo de Jean Carlos foi velado na Capela Mortuária do Floresta e sepultado às 10h deste sábado, no Cemitério Cristo Redentor, em Cascavel. Divorciado e pai de três filhos, ele morava no Bairro Barcelona e trabalhava como entregador. Familiares e amigos o descreviam como um homem dedicado à família e determinado a reconstruir a própria vida.
A manifestação saiu do local onde ocorreu o acidente, na marginal da PR-467, e seguiu em direção à Prefeitura de Cascavel. Além de homenagear Jean, o ato reuniu motociclistas em um pedido por mais respeito e segurança no trânsito para quem trabalha diariamente sobre duas rodas.