Criptoabate: Idosa perde mais de R$ 37 milhões em fraude de falsos investimentos
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Por Luiz Haab
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Uma idosa de 70 anos perdeu mais de R$ 37 milhões ao cair no chamado “golpe do abate de porcos”, uma modalidade de fraude eletrônica baseada no ganho progressivo de confiança para aportes em investimentos falsos. O caso motivou a Operação Criptoabate, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (13) para desarticular uma organização criminosa investigada por estelionato cibernético e lavagem de dinheiro.
Ao todo, 18 pessoas são alvo da ação, que mobiliza o cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e em São Paulo e Santos, no estado paulista. Outros oito investigados cumprem medidas cautelares diversas da prisão. Entre os alvos com ordem de prisão estão três proprietários de empresas de movimentação de criptoativos, por onde os recursos transitavam, além da gerente de uma tradicional instituição bancária brasileira.
A tática aplicada contra a aposentada é conhecida internacionalmente como pig butchering (ou “abate de porcos”). Os criminosos inseriram a idosa em grupos de mensagens que simulavam comunidades de estudos sobre o mercado financeiro, compostas por falsos analistas, assistentes e perfis manipulados que interagiam entre si. Convencida de que obtinha lucros com as aplicações apresentadas no painel da suposta corretora, a vítima realizou aportes cada vez maiores.
A fraude só foi descoberta quando a idosa tentou resgatar o dinheiro e teve os saques bloqueados. A partir desse momento, os golpistas passaram a exigir novos pagamentos sob a justificativa de quitação de taxas e impostos necessários para a liberação do saldo. Segundo a defesa da vítima, a aposentada levou semanas para constatar o golpe, pois a plataforma alegava que as perdas decorriam de oscilações do mercado.
As investigações do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), que duraram um ano e meio, apontaram que a estrutura do grupo contava com apoio dentro do sistema bancário. Das 25 primeiras contas de empresas que receberam as transferências da vítima, 24 pertenciam à mesma instituição financeira. Após ingressar nessas contas, o montante era pulverizado em outras firmas intermediárias até ser convertido em criptomoedas.
A polícia identificou pelo menos outras 140 potenciais vítimas inseridas no mesmo ecossistema digital de fraudes. A partir da apreensão de documentos e mídias, os agentes buscam identificar novos integrantes da quadrilha e rastrear bens para o ressarcimento dos prejuízos. A Polícia Civil alerta que promessas de lucros extraordinários, exigências de depósitos para liberação de saques e corretoras sem registro nos órgãos reguladores são os principais indicativos de fraude.
As informações são do TNonline.