AIE: impasse em Ormuz trava recuperação da oferta e aprofunda queda da demanda por petróleo

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A entidade – que reúne países ocidentais e aliados – agora projeta que o consumo mundial cairá 1,6 milhão de barris por dia (bpd) em 2026, acima da estimativa anterior de recuo de 1 milhão de bpd.

Por Agência Estado

A demanda global por petróleo deve se contrair mais do que o previsto neste ano, à medida que a retomada das hostilidades no Oriente Médio e as interrupções em passagens marítimas estratégicas atrapalham a recuperação da oferta, elevam os preços dos combustíveis e pesam sobre o consumo, afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE).

A entidade – que reúne países ocidentais e aliados – agora projeta que o consumo mundial cairá 1,6 milhão de barris por dia (bpd) em 2026, acima da estimativa anterior de recuo de 1 milhão de bpd. A demanda deve encolher 2,8 milhões de bpd no terceiro trimestre, após queda de 4,9 milhões de bpd no segundo trimestre, antes de voltar a crescer nos três meses finais do ano.

Embora o ritmo de retração esteja diminuindo, as interrupções persistentes vêm apertando o equilíbrio do mercado no curto prazo. A AIE estima que o mercado global operará com déficit de 1,8 milhão de bpd no terceiro trimestre – mais que o dobro da projeção anterior, de cerca de 800 mil bpd.

Ao mesmo tempo, a restrição no mercado de derivados levou as margens de refino da Bacia do Atlântico a recordes em julho, quando a demanda sazonal por diesel, querosene de aviação e gasolina esbarrou em falta de oferta e estoques reduzidos.

“O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz interrompe cadeias internacionais de abastecimento e reduz a disponibilidade de derivados”, afirmou a AIE em relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, 12. “Preços elevados de combustíveis estão impondo pressão adicional de baixa sobre o consumo de petróleo.”

A oferta global subiu 2,4 milhões de bpd em julho, para 101,5 milhões de bpd, mas ainda ficou 6,3 milhões de bpd abaixo do nível de um ano antes, com 8,3 milhões de bpd da produção do Golfo ainda paralisados. As exportações regionais – inclusive por rotas que contornam Ormuz – recuaram 2,1 milhões de bpd, para 15 milhões de bpd. Os embarques oscilaram fortemente ao longo do mês: chegaram a 20 milhões de bpd no início de julho e caíram para cerca de 12 milhões de bpd mais adiante.

Para 2026 como um todo, a AIE agora prevê que a oferta mundial diminuirá 4,3 milhões de bpd, mais do que a estimativa anterior de queda de 3,7 milhões de bpd. A agência espera que o mercado volte ao superávit perto do fim do ano, mas alerta que os riscos seguem elevados e que a reabertura do estreito se torna cada vez mais urgente, à medida que os amortecedores de estoques disponíveis se esgotam rapidamente.

Os estoques globais caíram acentuadamente em julho, em 2,2 milhões de bpd, principalmente por uma forte redução do volume de petróleo armazenado no mar. Os estoques totais observados ficaram abaixo de 7,9 bilhões de barris no fim do mês, o menor nível desde abril de 2025.

O cenário melhora de forma significativa em 2027, quando a demanda global deve voltar a crescer, com alta de 2,4 milhões de bpd. A recuperação seria impulsionada pela normalização das cadeias de suprimento, por preços mais baixos do petróleo e por um crescimento econômico global mais forte, que a AIE estima que acelerará em meio ponto porcentual, para 3,4%.

Do lado da oferta, a produção global deve avançar cerca de 8,3 milhões de bpd, liderada por um aumento de 5,8 milhões de bpd da Opep e aliados e por um ganho de 2,5 milhões de bpd de produtores fora do grupo, segundo a AIE.

Os preços do petróleo avançam nesta quarta-feira, com pouco avanço nas conversas para reabrir o Estreito de Ormuz e após o presidente Donald Trump voltar a enfatizar sanções e o bloqueio dos EUA como forma de pressionar a economia de Teerã.

O controle do estreito – por onde antes passava cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo – tornou-se um ponto central de atrito nos esforços para reduzir as hostilidades. O movimento Houthi, apoiado pelo Irã no Iêmen, também ameaçou a navegação saudita no Mar Vermelho, aumentando a pressão sobre uma rota que a Arábia Saudita tem usado para contornar Ormuz. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

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