Para IBGE, efeito do El Niño sobre inflação de alimentos é incerto

Publicado em

O pesquisador ponderou, no entanto, que ainda não é possível quantificar o impacto sobre o IPCA.

Por Agência Estado

O El Niño e as mudanças climáticas representam um risco relevante para o comportamento futuro dos preços de alimentos no Brasil, afirmou o gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gonçalves, ao comentar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, divulgado nesta terça-feira, 11, pelo instituto.

O pesquisador ponderou, no entanto, que ainda não é possível quantificar o impacto sobre o IPCA. Segundo ele, o fenômeno altera padrões de chuva e temperatura, podendo comprometer lavouras, dependendo de onde se concentrem excesso de precipitação ou seca.

Gonçalves disse que é preciso acompanhar como o evento vai se desdobrar, citando que alterações no clima podem afetar a produção e, consequentemente, a oferta. “O El Niño traz uma alteração nesses padrões de chuvas”, afirmou.

Ao lembrar episódios recentes, o pesquisador apontou que em 2024 também houve El Niño, com reflexos sobre alimentação, incluindo café e carnes em determinados momentos.

Para este ciclo, ele disse que a expectativa é de um El Niño forte e que o monitoramento será determinante para entender se o quadro atual de alívio em alguns alimentos pode se manter ou ser revertido.

“No momento, qualquer coisa que se fale seria mera especulação”, concluiu.

Em julho de 2026, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,67%, contribuindo para um IPCA de 0,07% no mês e para que a inflação em 12 meses voltasse para baixo do teto da meta depois de dois meses acima da marca.

O resultado foi influenciado pela alimentação no domicílio (-1,14%), enquanto a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho.

X