Festival de cinema de Brasília vive impasse; classe artística repudia
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Por CGN
O tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro passar por um momento de incerteza. Diretores do evento foram informados nesta segunda-feira, por representantes do governo do Distrito Federal, que a 59ª edição do evento não seria realizada entre os dias 11 e 19 de setembro.
No entanto, ainda nesta segunda, a governadora do DF, Celina Leão, publicou em suas redes sociais a determinação para que a Secretaria de Economia providencie os recursos necessários para o festival. De acordo com ela, o evento está confirmado.
A edição de 2026 recebeu número recorde de inscrições de filmes, com 1.928 obras pleiteando uma vaga. Mais de 80 filmes estão confirmados, com envolvimento de centenas de profissionais do audiovisual de todo o Brasil.
“O que teremos para amanhã e depois? Difícil dizer, mas, seguramente, nem essa edição nem o futuro deste evento será determinado só por quem estava aqui lutando para organizá-lo. Teremos que ver o quanto as associações em geral, o setor do cinema, o público do DF e até, por que não, outros festivais de cinema do país estarão dispostos a se juntar nessa briga”, escreveu Valente.
Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal, não se manifestou a respeito do assunto.
Tristeza e revolta
Tiago de Aragão, diretor no Centro Oeste da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), associou o possível cancelamento do festival à crise instalada no GDF após o escândalo dos bilhões de reais em títulos podres do Banco Master comprados pelo Banco de Brasília (BRB).
“São dezenas de profissionais empregados que já estavam trabalhando sem receber; são produtoras e cineastas de todo o país que reservaram o lançamento dos seus filmes para Brasília. A imagem que fica é de um GDF que não honrará seus compromissos para sanar um rombo causado em uma história espúria que envolveu o BRB com o Banco Master e Vorcaro”.
Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), o que acontece no DF pode reverberar por outros festivais do país.
“Só durante a ditadura que o Festival de Brasília não foi realizado. E o que isso significa simbolicamente? Para além das decisões financeiras, é uma decisão política do GDF. Isso nos preocupa imensamente, porque não ameaça apenas o festival de Brasília, e sim todos os festivais de cinema do Brasil”.
Carina Bini é cineasta de Brasília. Na edição do ano passado, subiu ao palco do Cine Brasília com todo o elenco de seu filme Mil Luas para apresentá-lo ao público da cidade. Hoje, ela lamenta a possibilidade de um auditório vazio e uma tela apagada em setembro.
“O Festival de Brasília movimenta todo um mercado de trabalho, uma cadeia produtiva do audiovisual, traz pessoas para a cidade, ele é um evento que gera emprego, gera recurso para o Distrito Federal e é importante historicamente para o cinema brasileiro”, destaca.
Festival histórico
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chegaria, em 2026, à marca de 59 edições. A mostra competitiva estava marcada para ocorrer de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília.
O Festival nasceu em 1965 e, ao longo das décadas, consolidou-se como um espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo das décadas, só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar.
Um diferencial em relações a outros festivais é que as obras selecionadas precisam ser inéditas e os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital.
Fonte: Agência Brasil