Quem quer governar não pode temer o debate

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Líder nas pesquisas, Sergio Moro deu explicações para não comparecer ao debate da Band, mas a fragilidade da justificativa expõe um problema maior: coragem para o embate.
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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

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O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Paraná, promovido pela TV Bandeirantes na noite de domingo (9), deveria ter sido o primeiro grande teste de quem pretende assumir o Palácio Iguaçu. Sergio Moro (PL), líder isolado nas pesquisas, não sumiu sem satisfação: horas antes do programa, publicou um vídeo justificando sua ausência com a alegação de que os debates eleitorais viraram uma “rinha de galo” e que os adversários agiriam de forma combinada para atacá-lo. O problema não é a ausência de explicação — é a fragilidade dela.

A justificativa não convence. Moro chegou a confirmar presença, sua equipe participou das reuniões que definiram as regras do debate e assinou os termos do confronto. Recuar de última hora, não é prudência política — é fuga disfarçada de explicação. E fuga é a última coisa que um candidato a governador pode se permitir, ainda que venha embrulhada num discurso de coragem.

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Quem se propõe a comandar o executivo de um estado do tamanho do Paraná precisa estar preparado para o embate direto, para a pergunta incômoda, para o ataque do adversário na frente das câmeras. É exatamente isso que o eleitor precisa presenciar antes de decidir seu voto: como o candidato reage sob pressão, como defende suas propostas, como rebate as críticas com argumentos — não com uma justificativa que soa mais a pretexto do que a razão de Estado. Se Moro não suporta o desconforto de um debate eleitoral, como conduzirá as pressões reais de um governo, com oposição, imprensa e uma Assembleia Legislativa cobrando satisfações todos os dias?

O eleitor de direita que hoje sustenta a liderança de Moro nas pesquisas não quer um candidato blindado. Quer um candidato que apareça, que defenda com convicção seu histórico e seu projeto para o estado, que mostre por que merece o voto — não alguém que prefira observar de fora enquanto os adversários ocupam sozinhos o palco e a narrativa. A cadeira vazia no estúdio da Band não foi um gesto de força, e a explicação dada nas redes sociais não foi suficiente para preenchê-la. Foi um vácuo que os próprios adversários, imediata e habilmente, transformaram em munição contra ele.

Fica o alerta: se a estratégia de Moro para esta campanha for evitar sistematicamente o confronto direto, escondendo-se atrás de justificativas que não resistem a uma análise mais séria, ele abre brechas cada vez maiores para que Requião Filho e Sandro Alex o pintem como um candidato que soma pontos nas pesquisas, mas foge da prestação de contas. Esperamos que, nos próximos debates, o senador reconsidere. Que apareça, que defenda seu projeto e que mostre estar, de fato, preparado para o cargo que almeja.

Quanto aos dois candidatos que estiveram presentes, o debate expôs o que ainda falta a ambos. Trocaram acusações sobre a privatização da Copel e o custo da energia, mas pouco avançaram além de promessas genéricas — 50 subestações aqui, 500 escolas cívico-militares ali — sem detalhar como seriam financiadas ou executadas. É um sinal de que Requião Filho e Sandro Alex ainda estão em fase de aprendizado nesta disputa, testando discurso mais do que apresentando plano de governo. Isso precisa amadurecer nas próximas semanas, sob pena de a campanha inteira se resumir a promessas de campanha eleitoral, e não a soluções reais para os problemas do estado.

O primeiro round terminou com um assento vazio, uma explicação que não convenceu e duas candidaturas ainda em construção. Resta saber se, no próximo confronto, Moro terá a coragem que o cargo exige — e se seus adversários finalmente trocarão a retórica por propostas concretas.

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