Copom mantém assimetria altista no balanço de riscos para inflação

Publicado em

“Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista”, diz o comunicado.

Por Agência Estado

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a assimetria para cima no balanço de riscos para a inflação apresentado nesta quarta-feira, 5, junto ao comunicado da decisão de juros. O colegiado cortou a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano, em linha com as expectativas do mercado.

“Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista”, diz o comunicado. A assimetria altista foi reconhecida pelo Copom pela primeira vez em junho, mas apenas na ata publicada pouco menos de uma semana depois da decisão de política monetária.

O colegiado manteve praticamente a mesma estrutura detalhada em junho no balanço, com quatro riscos para cima e três, para baixo. Os riscos permaneceram iguais.

O comitê também manteve o recado de que estímulos à demanda agregada e ao consumo podem levar a um crescimento acima do esperado para a atividade e puxar a inflação, em uma aparente menção indireta aos programas que vêm sendo implementados pelo governo às vésperas da eleição presidencial de outubro.

Veja todos os riscos abaixo.

Riscos para cima:

– uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia;

– uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;

– uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada;

– estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.

Riscos para baixo:

– uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;

– uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza;

– uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

X