Lucro do Banco Inter cresce 34% e atinge R$ 421 milhões no 2º trimestre
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Por Agência Estado
O banco Inter registrou lucro líquido de R$ 421 milhões no segundo trimestre de 2026, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira, 5. O resultado representa alta de 34% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, houve avanço de 6,7%.
O retorno sobre o patrimônio líquido (RoE, na sigla em inglês) do banco foi de 16,3% no trimestre, expansão de 2,4 pontos porcentuais em 12 meses. Já as receitas líquidas cresceram 32% em base anual, a R$ 2,6 bilhões.
O balanço é o primeiro desde que o Inter revelou uma nova baliza para os negócios, a chamada “Regra de 50”, anunciada em evento com investidores em maio. Pela diretriz, a soma entre a taxa de crescimento das receitas e o RoE deve alcançar 50% – com um tolerância de cerca de três pontos porcentuais neste primeiro momento.
“Em 2024 e 2025, esse número era 45%. Hoje, a soma dessas duas métricas está em 48%, ou seja, dentro da zona de tolerância da Rule of 50”, afirmou o vice-presidente financeiro do banco, Santiago Stel, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A nova “regra” representa uma camada adicional em relação ao plano estratégico implementado desde 2023, que prevê atingir RoE e índice de eficiência de 30%, além de 60 milhões de clientes até 2027. O banco encerrou junho com 45,3 milhões de clientes (avanço de 15,1% em 12 meses), dos quais 26,4 milhões eram ativos, isto é, utilizavam efetivamente os produtos e serviços financeiros.
No trimestre, o índice de eficiência alcançou 42,1%, de 47,1% um ano antes. Já a margem financeira líquida (NIM), que apura o ganho do banco com operações de crédito e captação em relação à carteira, subiu de 9,1% a 10,1% em igual base comparativa. Os dois indicadores devem ser fundamentais para sustentar o avanço da rentabilidade à frente, afirma Stel. “Nosso crescimento de lucro líquido vai continuar tendo um elemento de melhoria da performance da eficiência com avanço da NIM”, projetou.
Crédito
A evolução deve ser sustentada por uma estratégia que busca oportunidades em linhas de créditos com garantia, sobretudo consignado e financiamento imobiliário. A carteira de crédito bruta fechou junho em R$ 51,927 bilhões, aumento de 29,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
O CFO reforça que o crédito colateralizado continuará sendo a principal avenida de crescimento do Inter. De acordo com ele, o segmento ainda é muito mais dominado pelos grandes bancos do que as linhas sem garantia. “Alguns players estão sendo mais cautelosos nessa dinâmica. Mas nós somos pequenos, temos muito mais capacidade de ser agressivos e ganhar market share em um cenário no qual outros estão um pouco mais tímidos para crescer”, explicou Stel.
No consignado privado, a carteira atingiu R$ 2,8 bilhões, ante R$ 2,5 bilhões no trimestre anterior. Segundo o executivo, o produto ainda enfrenta alguns desafios operacionais relativos à implementação do sistema de garantias e da portabilidade pelo Dataprev. Ainda assim, o Inter deve manter o apetite pela linha.
Qualidade da carteira
Em relação às métricas de qualidade, a inadimplência acima de 90 dias avançou 0,7 ponto porcentual no confronto anual e 0,2 ponto porcentual no trimestral, a 5,3%. Pelo critério de atrasos entre 15 e 90 dias, o indicador atingiu 4,8%, de 4,1% um ano antes.
De acordo com o CFO, esse aumento já era esperado diante das mecânicas em vigor em duas carteiras centrais. Em cartão de crédito, o Inter passou a focar mais no caráter de financiamento, ao invés de vê-lo como uma ferramenta puramente transacional. Isso eleva a rentabilidade, mas também amplia eventuais atrasos. Já no consignado privado, a pressão reflete a necessidade de alguns ajustes operacionais.
Diante disso, o custo de risco, que mede a proporção das despesas com provisões contra calotes em relação à carteira, atingiu 5,9% no trimestre, de 5,6% três meses antes e 5% em igual período de 2025. A expectativa do banco é de que o indicador se estabilize perto do nível de 6%. “Vamos ver como evolui o segundo semestre. Ainda há várias coisas que não estão claras, como o ritmo de queda de juros, quanto tempo mais vai durar o Novo Desenrola”, citou Stel.
O índice de Basileia do Inter chegou 14,4% no trimestre, um recuo de 1,3 ponto porcentual em base anual.
Em nota, o CEO do banco, João Vitor Menin, afirmou que os resultados mostram a capacidade do Inter de crescer de forma escalável e rentável, em um modelo que está se tornando neutro para o capital. “O desempenho consistente do Inter reforça a solidez do nosso modelo de negócios e nosso compromisso contínuo com a geração de valor para clientes e investidores”, pontuou.