Cervejas de Guarapuava recebem primeira Indicação Geográfica do Brasil para o segmento

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Registro concedido pelo INPI reconhece a procedência da produção artesanal e autoriza nove cervejarias a utilizarem o selo nos rótulos.
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Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

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As cervejas artesanais de Guarapuava, na região central do Paraná, receberam na terça-feira (4 de agosto) a primeira Indicação Geográfica do Brasil dedicada ao segmento. O registro, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), permitirá que nove cervejarias autorizadas utilizem o selo de procedência em seus rótulos.

A Indicação Geográfica das cervejas de Guarapuava foi concedida na modalidade Indicação de Procedência, que reconhece a reputação da produção e sua relação com o território. O registro foi identificado pelo número BR402025000006-3.

O pedido havia sido protocolado em maio de 2025 pela Associação das Cervejarias de Guarapuava (Guaracerva). A aprovação ocorreu após análise técnica realizada pelo INPI.

Com o reconhecimento, as empresas autorizadas poderão destacar nos rótulos a origem das bebidas produzidas no município. Inicialmente, estão habilitadas as cervejarias Metzgerbier, Jordana, Água do Monge, Hank Bier, Irmandade, Heimdall, Suabia, Donau Bier e Over Beer.

Selo reconhece produção cervejeira de Guarapuava

Guarapuava reúne atualmente nove cervejarias artesanais. Conforme as informações divulgadas pelo setor, as empresas geram aproximadamente 150 empregos diretos e movimentam mais de R$ 2,5 milhões por mês.

O município também é reconhecido como Capital Nacional da Cevada e do Malte. A expectativa dos produtores é que a Indicação Geográfica fortaleça a cadeia produtiva regional, aumente a competitividade das marcas e favoreça o turismo gastronômico.

O processo para obtenção do registro começou com um diagnóstico técnico de potencialidade realizado com o apoio do Sebrae/PR. O estudo considerou a reputação das cervejas, a ligação da produção com o território, a organização coletiva dos produtores e a necessidade de proteger a identidade local.

Para a presidente da Guaracerva e proprietária da Água do Monge Cervejaria, Larissa Vier, o reconhecimento é resultado de um trabalho conjunto desenvolvido pelo setor.

Segundo ela, a cadeia produtiva está presente em Guarapuava desde o cultivo da cevada e a fabricação do malte até a produção da bebida. Na avaliação da empresária, essa integração contribui para a qualidade e a diferenciação das cervejas.

“Estamos muito felizes e orgulhosos com mais esse reconhecimento com as cervejas de Guarapuava”, afirmou Larissa.

Tradição começou com comunidades de imigrantes

A produção cervejeira de Guarapuava tem relação com a imigração europeia, especialmente de alemães, suíços e suábios do Danúbio. Esses grupos levaram à região conhecimentos e técnicas tradicionais de fabricação da bebida.

Em meados do século XX, a produção era principalmente artesanal e destinada ao consumo das próprias comunidades. Com o passar dos anos, a atividade se profissionalizou e passou a integrar a economia do município.

Entre as empresas que participaram desse processo estão a Donau Bier, fundada em 2004 e orientada pela Lei da Pureza Alemã, e a Jordana Bier, criada em 2014 e apontada como a primeira cervejaria regularizada na área urbana de Guarapuava.

O empresário Ricardo de Almeida Lima, da Irmandade Cervejaria, acompanhou o crescimento do mercado artesanal na região. Segundo ele, há cerca de 13 anos parte da produção ainda era realizada em panelas.

Fundada há quase sete anos, a Irmandade acompanhou a expansão e a profissionalização da atividade. Para Ricardo, a Indicação Geográfica reconhece características específicas das bebidas produzidas no município.

“As cervejarias da região têm como vocação a produção em pequenos lotes, com métodos tradicionais que garantem resultados não alcançados em larga escala. No universo cervejeiro, os ingredientes, as técnicas e os processos fazem toda a diferença, e a IG reconhece justamente essa identidade e esse cuidado. Esse selo reforça nossa diferenciação nos mercados e mostra que nossas cervejas são feitas sob outra ótica, com qualidade e singularidade”, declarou.

De acordo com o empresário, Guarapuava atravessa um período de consolidação do setor, com diferentes cervejarias e portfólios diversificados.

“A IG é a nossa bandeira para conquistar novos mercados. Existe um esforço coletivo para posicionar Guarapuava como referência na produção artesanal de cerveja, e esse reconhecimento chancela essa trajetória!”, acrescentou.

Reconhecimento pode favorecer abertura de mercados

O consultor do Sebrae/PR Heverson Miloch afirmou que o registro evidencia a articulação entre empreendedores, instituições parceiras e poder público.

“Quando diferentes atores se mobilizam em torno de um propósito comum, os resultados se traduzem em desenvolvimento, valorização do território e novas oportunidades”, disse.

Segundo o consultor, o reconhecimento agrega valor à produção de Guarapuava e pode facilitar a entrada das cervejarias em novos mercados.

“Este é um momento histórico para Guarapuava. O Sebrae/PR se orgulha de ter contribuído para essa trajetória e reafirma seu compromisso com a inovação e o aumento da competitividade das cervejarias locais”, completou.

Paraná lidera número de Indicações Geográficas

Com o reconhecimento das cervejas artesanais de Guarapuava, o Brasil passa a contar, segundo os dados apresentados, com 167 Indicações Geográficas nacionais. Desse total, 28 estão no Paraná, estado com o maior número de registros no país.

Ao considerar também 11 Indicações Geográficas estrangeiras reconhecidas pelo INPI, o total informado chega a 178 registros.

Entre os produtos e preparos paranaenses que já possuem reconhecimento estão o pão no bafo de Palmeira, o couro de peixe de Pontal do Paraná, o ginseng de Querência do Norte, o Café da Serra de Apucarana, as tortas de Carambeí, as ostras do Cabaraquara e a ponkan de Cerro Azul.

A lista inclui ainda as broas de centeio e a carne de onça de Curitiba, a cracóvia de Prudentópolis, o café de Mandaguari, o urucum de Paranacity, o queijo colonial do Sudoeste do Paraná, o mel de Ortigueira e os queijos coloniais de Witmarsum.

Também possuem registros a cachaça e a aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os vinhos de Bituruna, o mel do Oeste do Paraná, o barreado do Litoral, a bala de banana de Antonina, a erva-mate São Matheus, a camomila de Mandirituba, as uvas finas de Marialva, os cafés especiais e o morango do Norte Pioneiro e a goiaba de Carlópolis.

Há ainda o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil. O registro foi concedido a Santa Catarina, mas sua área de abrangência também inclui municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.

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