Tire suas dúvidas: 12 perguntas e respostas sobre a revacinação contra o sarampo em SP

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Diante desse cenário, pessoas que moram ou circulam por essas cidades receberam a recomendação de uma dose adicional da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Por Agência Estado

O aumento dos casos de sarampo em São Paulo levou as autoridades de saúde a reforçarem a vacinação em três municípios do Estado. Em 2026, já foram confirmados 16 casos da doença: 13 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.

Diante desse cenário, pessoas que moram ou circulam por essas cidades receberam a recomendação de uma dose adicional da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A medida é temporária e busca interromper rapidamente a transmissão do vírus, um dos mais contagiosos conhecidos.

A seguir, a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, esclarece as principais dúvidas sobre a estratégia.

1 – Quem deve se revacinar?

A recomendação vale para pessoas de 6 meses a 59 anos, 11 meses e 29 dias que moram ou circulam pelos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos.

“O objetivo é aumentar rapidamente a proteção da população e interromper a transmissão do vírus nos locais onde há um surto ativo de sarampo”, explica Mônica. A orientação é válida independentemente do número de doses recebidas anteriormente.

2 – Já tomei duas doses da tríplice viral. Preciso me vacinar novamente?

Sim, desde que você faça parte do público contemplado pela estratégia.

Mônica ressalta que isso não significa que as duas doses deixaram de funcionar. “A dose adicional é uma medida temporária de saúde pública utilizada durante surtos para ampliar a proteção coletiva e interromper a circulação do vírus. Não é uma revacinação por falha da vacina.”

3 – Por que a dose adicional está sendo recomendada neste momento?

A especialista explica que São Paulo é o único Estado com um surto ativo caracterizado por cadeias de transmissão.

“Como o sarampo é uma doença extremamente contagiosa, precisamos reduzir rapidamente o número de pessoas suscetíveis para impedir que esse surto cresça. Essa é uma estratégia utilizada internacionalmente em situações semelhantes”, diz.

Ela lembra ainda que a alta densidade populacional e o intenso fluxo de pessoas, inclusive do exterior, tornam o controle da doença mais desafiador no Estado.

4 – Gestantes podem receber a vacina?

Não. A tríplice viral é uma vacina de vírus vivo atenuado e, por isso, não é recomendada durante a gestação.

A especialista explica que existe um risco teórico de o vírus, mesmo enfraquecido, atravessar a placenta, infectar o feto e provocar prejuízos ao seu desenvolvimento ou um aborto espontâneo. Por esse motivo, vacinas desse tipo são contraindicadas para gestantes.

“Nesses casos, a melhor forma de proteção é reduzir a circulação do vírus na comunidade. Quando as pessoas que podem ser vacinadas se imunizam, elas ajudam a proteger indiretamente quem não pode receber a vacina”, afirma.

5 – Pessoas imunossuprimidas podem receber a vacina?

Pessoas imunossuprimidas são aquelas que têm o sistema imunológico enfraquecido por uma doença ou por determinado tratamento. Nesses casos, a vacinação com a dose adicional depende do grau de imunossupressão, que deve ser avaliado pelo médico que acompanha o paciente.

Nos casos de imunossupressão grave, a tríplice viral é contraindicada. “Mesmo o vírus enfraquecido presente na vacina pode ser suficiente para causar a própria doença em um imunocomprometido grave”, explica a especialista.

Já pessoas com imunossupressão leve podem, em alguns casos, receber vacinas de vírus vivo atenuado. Mônica cita como exemplo pessoas que vivem com HIV e estão em tratamento, com carga viral controlada e boa resposta imunológica. “Embora tenham uma doença que cursa com imunossupressão, o tratamento pode deixá-las com uma imunidade muito próxima do normal”, afirma.

Por isso, segundo a especialista, a decisão deve ser individualizada.

6 – Por que pessoas com 60 anos ou mais não fazem parte da estratégia?

A estratégia prioriza a faixa etária em que há maior número de pessoas suscetíveis e em que a vacinação tem maior impacto para interromper a transmissão.

“A grande maioria das pessoas com 60 anos ou mais nasceu antes da introdução da vacina no Programa Nacional de Imunizações e provavelmente teve contato natural com o vírus, mesmo que não se lembre disso. Por isso, já desenvolveu uma imunidade duradoura e não faz parte da estratégia de vacinação”, explica.

7 – Quem não sabe se já foi vacinado ou perdeu a carteira de vacinação deve tomar a dose?

Sim.

Nos municípios onde a estratégia está em vigor, a vacinação está sendo realizada independentemente do histórico vacinal. “Uma dose extra da tríplice viral não traz prejuízo para quem já estava vacinado. O problema é deixar de tomar a vacina e permanecer vulnerável ao sarampo”, afirma a especialista.

8 – Se acabei de tomar outra vacina, preciso esperar para receber a tríplice viral?

Na maior parte dos casos, não.

A presidente da SBIm explica que a tríplice viral pode ser aplicada no mesmo dia que outras vacinas. A exceção envolve alguns imunizantes de vírus vivo atenuado, como as doses contra febre amarela e varicela, situações em que pode ser necessário respeitar um intervalo de quatro semanas.

“No caso de crianças menores de 2 anos, a tríplice viral não deve ser aplicada no mesmo dia da vacina contra a febre amarela. Por isso, é importante conversar com o profissional de saúde”, orienta.

9 – Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Os eventos adversos costumam ser leves e pouco frequentes.

De acordo com Mônica, entre cinco e doze dias após a vacinação, algumas pessoas podem apresentar febre e pequenas manchas avermelhadas na pele, quadro conhecido popularmente como “sarampinho”. “Isso ocorre em cerca de 5% dos vacinados, não transmite a doença e desaparece sozinho”, afirma.

Ela reforça que as complicações graves estão associadas ao sarampo, e não à vacina. “A doença pode causar pneumonia, encefalite e até levar ao óbito.”

10 – O que fazer se o posto de saúde não tiver a vacina ou se os profissionais não conhecerem a estratégia?

Segundo a especialista, não há previsão de falta de doses, já que o Ministério da Saúde distribuiu milhões de vacinas para abastecer a rede durante a campanha.

Caso uma unidade não tenha o imunizante, a orientação é procurar outro posto de saúde. Se houver desconhecimento da estratégia por parte do profissional, Mônica recomenda solicitar a presença do responsável pela unidade para esclarecer a situação.

11 – Quem está com sintomas gripais ou febre pode se vacinar ou deve esperar?

Depende do quadro.

Resfriados leves, sem febre e com bom estado geral não impedem a vacinação. Já pessoas com febre ou doenças moderadas e graves devem aguardar a recuperação.

“O parâmetro é permanecer pelo menos 24 horas sem febre e estar em bom estado geral antes de receber a vacina”, diz a presidente da SBIm. Esse período evita a confusão entre sintomas da doença, uma piora no quadro ou uma possível reação vacinal.

12 – Quem teve sarampo no passado também precisa se revacinar?

Quem teve diagnóstico confirmado de sarampo por avaliação médica ou exames laboratoriais não precisa receber a dose adicional.

Por outro lado, muitas pessoas acreditam ter tido a doença sem confirmação. “Na dúvida, a recomendação é se vacinar. Receber a vacina mesmo após ter tido sarampo não traz prejuízo”, afirma Mônica.

A especialista reforça que o sarampo é uma doença extremamente contagiosa e que a vacinação é a única forma eficaz de proteção.

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