Secretário-geral da Fifa aumenta pressão sobre Infantino em carta: 'Indivíduos vêm e vão'

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Grafstrom é o segundo na hierarquia da organização.

Por Agência Estado

O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, se manifestou internamente sobre os plano frustrado da entidade de criar Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária privada avaliada em cerca de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102 bi) para gerir seus ativos comerciais, como a Copa do Mundo. Em memorando enviado a funcionários, ele disse que “indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão”. A informação, divulgada pelo site The Athletic, aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente Gianni Infantino.

Grafstrom é o segundo na hierarquia da organização. Segundo a publicação, o secretário-geral descreveu os planos de criação da FFE como uma “série de eventos tristes e repreensíveis”.

“A última semana foi extraordinária e desafiadora para todos os funcionários da Fifa em nossos escritórios ao redor do mundo”, diz seu memorando interno para a equipe. “Por isso, queria que vocês fossem os primeiros a saber de mim.”

“Todos nós fomos lançados no meio de uma turbulência, algo difícil de compreender e aceitar. Garanto-lhes que, como membros da administração, vocês serão defendidos e protegidos do contexto político que vivenciamos atualmente. Não precisam se preocupar.”

“Indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade para com o futebol mundial permanecem, e é por isso que devemos sempre manter nosso profissionalismo, senso de perspectiva e compostura”, completa o comunicado interno.

As manifestações contrárias ao projeto de Infantino já alcançam diferentes setores da cúpula da Fifa. Além das críticas feitas reservadamente por Grafstrom, outros dirigentes também passaram a questionar a condução da proposta de criação da FFE.

Na última semana, o diretor de operações da entidade, Kevin Lamour, disse à Associated Press que os funcionários foram induzidos ao erro durante a apresentação do plano e afirmou que a iniciativa refletia a vontade de apenas uma pessoa. A crise também resultou na saída de Carlos Cordeiro, um dos principais conselheiros de Infantino, que deixou o cargo por discordar do projeto.

O projeto de Infantino fracassou depois de a Uefa liderar uma onda de críticas ao presidente, citando falta de transparência do processo e o temor que o futebol fique à mercê da ganância de investidores do mercado financeiro. A federação europeia ameaçou boicotar as principais competições da entidade caso a proposta fosse adiante e, agora, trabalha pela saída do dirigente ítalo-suíço do cargo. Países como Inglaterra, País de Gales e Sérvia retiraram o apoio ao dirigente em sua campanha de reeleição.

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