Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%
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Por CGN
Embora ainda sejam a maioria entre os que se formam em cursos audiovisuais, as mulheres não encontram representação em cargos de liderança das obras cinematográficas produzidas no Brasil. E esse cenário só será alterado por meio de políticas públicas, defende Minom Pinho, produtora de cinema e audiovisual, diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci) e coordenadora e idealizadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM Cine).
“As grandes mudanças se fazem com política pública”, ressalta. “E para você alcançar a política pública, você tem que ter indicador e indutor. O que significa isso? Por exemplo, estipular que o número de mulheres em roteiro e direção em longas-metragens deve bater 30% até 2030. A gente vai ter que entender que é preciso estabelecer metas mais claras porque o cinema é uma zona de resistência muito grande”.
Minon Pinho defende políticas públicas para ampliar participação feminina nas lideranças do setor cinematográfico – Divulgação
A produtora assegura que não há número que justifique o não crescimento da participação feminina em cargos de liderança.
“Ninguém pode alegar que as mulheres não têm competência. Elas estão fazendo um milagre. Foi dado a elas 20% [de cargos de liderança] nos filmes, mas elas estão pegando 44% do mercado. Isso quer dizer que elas estão fazendo muito com a pior situação possível”, enfatiza.
Por isso, defende, é importante estabelecer políticas públicas que estipulem metas para o aumento dessa participação. “Meu sonho é a gente chegar em equidade nos próximos 10 anos. Meu sonho é que a gente saia desse atual patamar”.
O anuário também aponta que, enquanto 231 longas-metragens brasileiros produzidos em 2023 foram dirigidos exclusivamente por homens, apenas 52 foram feitos por mulheres. No caso dos roteiros, o domínio também era dos homens: 165 contra 41.
Enquanto isso, as mulheres eram maioria na direção de arte (99 contra 57) e na produção-executiva (110 contra 66).
“Esse é o lugar que a sociedade convencionou que é o nosso lugar, o lugar das mulheres. Temos aí a direção de arte ou figurino, por exemplo, porque ‘arte é coisa de mulher’. Isso é um estereótipo absurdo. Temos sim excelentes diretoras de arte. Mas o número de diretoras de filmes precisa crescer”, aponta Minom.
A produtora destaca que o cinema precisa de mais mulheres na condução das narrativas. “A gente quer estar em todos os lugares. Mas quando você tem uma ideia, escreve essa história e tem uma mulher dirigindo essas histórias e escolhendo as imagens que vão configurar naquela peça ou naquela obra audiovisual, isso faz muita diferença”.
Mesa de debates
No domingo passado, o festival de cinema Bonito CineSur promoveu uma mesa para debater o protagonismo feminino no cinema sul-americano.
Para Paulina Garcia, é preciso haver mais histórias contadas por mulheres e interpretadas por mulheres. – Divulgação
“Para as mulheres, existem mais coisas do que desempenhar papéis de pessoas doentes ou que morrem a certa idade. Também há mais coisas do que se apaixonar por um homem mau ou um homem perdido ou ser filha de alguém. Precisamos contar com histórias mais complexas sobre quem somos ou sobre o que queremos fazer”, defende.
“Creio que essa construção de uma rede é importantíssima”, diz. “Quando se fala em mulheres em espaços de poder, sempre se vê como algo negativo. Mas o espaço de decisão é uma responsabilidade e abre caminhos para que se contem outras histórias”.
* A repórter viajou a convite do Bonito CineSur
Fonte: Agência Brasil